
A carceragem da Polícia Federal ficou pequena para o ego e as necessidades clínicas de Jair Bolsonaro. Nesta quinta-feira (15), o Supremo Tribunal Federal oficializou a transumância do ex-presidente para o 19º Batalhão da Polícia Militar, a famosa “Papudinha”. O “Capitão”, condenado a mais de 27 anos de reclusão, não terá a companhia de Anderson Torres ou Silvinei Vasques, seus antigos asseclas que dividem outra unidade; Moraes garantiu que Bolsonaro desfrute de uma sala de Estado-Maior inteira só para si. O espaço, projetado para quatro pessoas, foi convertido em uma suíte monárquica de 65 metros quadrados para abrigar o homem que, ironicamente, sempre pregou que a cela deveria ser o lugar de maior sofrimento para o criminoso.
As “necessidades” de Bolsonaro, aceitas por Alexandre de Moraes sob o manto do garantismo humanitário, transformam a Papudinha em uma extensão de sua residência de veraneio. O ex-presidente terá assistência médica particular ininterrupta, fisioterapia para “estabilização do sono” e uma cozinha privativa onde a família poderá preparar iguarias longe do “fantasma do envenenamento” que assombra as noites do detento. O aparato inclui até barras de apoio na cama, para evitar que o líder da extrema-direita sofra novas quedas literais, já que a queda política e jurídica parece definitiva. A única fronteira não ultrapassada foi a digital: a smart TV permanece vetada, mantendo o “Mito” em um analógico e necessário ostracismo informativo.
Perspectivas Editoriais
A cela exclusiva é justiça ou um salvo-conduto para o privilégio?
Será que os milhares de presos que se amontoam em celas fétidas e sem assistência médica básica no Complexo da Papuda enxergam nessa “Sala de Estado-Maior” a mesma justiça que o STF apregoa? Ao conceder a Bolsonaro uma estrutura que inclui área de exercícios, pista de caminhada e cinco refeições diárias preparadas sob medida, o Estado brasileiro reafirma que há dois pesos e duas medidas para quem tenta golpear a democracia. Bolsonaro não é um preso comum; é um hóspede do sistema militar, vivendo em um alojamento reformado com o dinheiro do contribuinte, enquanto seus fiéis escudeiros de 8 de janeiro amargam a dureza do sistema que ele mesmo ajudou a precarizar. O “Capitão” pedala em sua esteira privativa enquanto o Rio de Janeiro conta mortos em operações policiais abençoadas por seu discurso.
O Mapa da Mordomia: O Espólio da Papudinha
| Facilidade Garantida | O Beneficiário | A Justificativa Médica/Jurídica | O Contraponto do Diário |
| Uso Exclusivo | Jair Bolsonaro | Prerrogativa de segurança máxima. | Espaço para 4 usado por 1. |
| Médicos 24h | Particulares cadastrados | Histórico de cirurgias e quedas. | O SUS que ele sucateou não chega lá. |
| Cozinha e Dieta | Responsabilidade da Defesa | Receio de “malversação alimentar”. | Gastronomia VIP no cárcere. |
| Religião | Rodovalho e Manzoni | Direito ao conforto espiritual. | O dízimo agora é em tempo de cela. |
| Remição | Por Leitura | Resolução do CNJ. | Lerá a CF/88 ou manuais de tortura? |
A análise técnica do Diário Carioca não deixa margem para dúvidas: o Estado brasileiro está tratando o carrasco com luvas de pelica. A transferência de Bolsonaro para a Papudinha, com todas as regalias médicas e logísticas, é uma tentativa de esvaziar o discurso de martírio da extrema-direita, mas acaba por escancarar a desigualdade abismal de um sistema penal que reserva suítes para generais e valas para os pobres. Bolsonaro agora tem o silêncio que tanto desejou para meditar sobre seus crimes, com o único ruído sendo o das barras de apoio de sua cama — o último suporte de um poder que se esvaiu entre processos e condenações.





