
Jair Bolsonaro descobriu, da pior maneira possível, que o sinal de internet não atravessa as grades da Sala de Estado-Maior. Na decisão que selou sua transferência para o 19º Batalhão da PM, o ministro Alexandre de Moraes aplicou um corretivo pedagógico na defesa do ex-presidente: negou sumariamente o pedido para a instalação de uma Smart TV com acesso ao YouTube.
Para Moraes, o aparelho não é um item de lazer, mas um cavalo de Troia tecnológico capaz de viabilizar “comunicações indevidas” e burlar o isolamento imposto pela condenação de 27 anos. O ex-presidente, que governou o país a golpe de cliques e transmissões ao vivo, agora terá de se contentar com a TV aberta — o mesmo “lixo” que ele jurou destruir enquanto inflava sua bolha digital.
Perspectivas Editoriais
A petição dos advogados, protocolada com a audácia de quem pede serviço de quarto, tentava vender a ideia de que o YouTube seria usado apenas para “acompanhamento jornalístico”. Moraes, que não é neófito nas táticas de guerrilha informacional do bolsonarismo, foi ácido na resposta.
Ele lembrou que o sistema prisional não é uma “estadia hoteleira” e que os privilégios já concedidos — de médicos 24h a cozinha privativa — não dão ao detento o direito de manter seu gabinete do ódio operando via streaming. Sem Wi-Fi, sem algoritmos e sem os comentários elogiosos de robôs, Bolsonaro terá de enfrentar o seu maior inimigo: a própria consciência, sem filtros do Instagram.
O algoritmo de Moraes não aceita “pular anúncio” da sentença?
Será que o ex-presidente acredita que o YouTube é um direito fundamental, enquanto o acesso à informação real foi por ele combatido durante anos? Ao tentar transformar a Papudinha em um estúdio de gravação para a posteridade, a defesa esbarrou na segurança institucional. O risco de Bolsonaro usar uma Smart TV para enviar sinais de fumaça digitais para seus seguidores radicais é real. No xilindró do 19º BPM, o “Capitão” terá de aprender que a vida offline é o destino final de quem tentou hackear a democracia. Sem o YouTube, Bolsonaro é apenas um homem em uma cela de 60 metros quadrados, pedalando uma esteira que não o leva a lugar nenhum.
O “Check-in” na Papudinha: O que entra e o que fica de fora
| Item Solicitado | Status do Pedido | Justificativa de Moraes | A Vida como ela é |
| Smart TV / YouTube | NEGADO | Risco de comunicação indevida e ilícitos. | O fim das lives golpistas. |
| TV Comum | Autorizado | Acesso à informação básica (aberta). | Terá de assistir ao “Jornal Nacional”. |
| Cozinha Privativa | Autorizado | “Desconfiança” alimentar da defesa. | Gastronomia sob vigilância. |
| Academia (Esteira) | Autorizado | Necessidade médica e fisioterápica. | Pedalando para gastar o tempo. |
| Livros | Autorizado | Programa de remição de pena (CNJ). | A chance de ler a Constituição. |
A análise técnica do Diário Carioca é implacável: ao vetar a Smart TV, Moraes retirou de Bolsonaro o seu oxigênio político. O isolamento digital é a maior punição para um populista que depende do eco das redes sociais para se sentir vivo. Sem a janela do YouTube, Bolsonaro é confrontado com a crueza do Direito Penal, onde a única “plataforma” disponível é o pátio do banho de sol. O ex-presidente queria uma colônia de férias conectada; recebeu um retiro forçado onde o único conteúdo disponível será o das páginas dos livros que ele terá de ler para diminuir seus dias de sombra.





