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Trama do Enfermo

Moraes escala Junta Médica para avaliar se o golpista Bolsonaro vai para hospital penitenciário

Ministro do STF dá 10 dias para peritos oficiais avaliarem se o ex-presidente é um paciente grave ou apenas um hóspede exigente; decisão barra, por ora, o sonho da prisão domiciliar sob o pretexto da saúde.

15 de janeiro de 2026

A estratégia da defesa de Jair Bolsonaro de transformar o prontuário médico em um salvo-conduto para o conforto do lar sofreu um revés técnico nas mãos de Alexandre de Moraes. Nesta quinta-feira (15), ao mesmo tempo em que autorizou a “hospedagem” na Papudinha, o ministro determinou que uma Junta Médica Oficial realize uma perícia rigorosa no ex-presidente.

O objetivo? Decidir se ele precisa de um Hospital Penitenciário ou se a estrutura de 65 metros quadrados, com direito a esteira e cozinha privativa, já não é um exagero para quem, segundo exames realizados no hospital de luxo DF Star, não apresenta sequer uma mancha roxa da “queda da cama” que serviu de drama central para a transferência.

Moraes foi cirúrgico ao expor a higidez da equipe médica da Polícia Federal, rebatendo as insinuações de omissão. Para o ministro, a “fragilidade” alegada pelos advogados precisa passar pelo crivo da ciência estatal, e não apenas pelo pavor familiar de uma comida que não tenha o selo de aprovação de Michelle.

Com o prazo de 10 dias para a entrega do laudo, Bolsonaro viverá um limbo entre o privilégio militar e a realidade carcerária. O recado de Moraes é claro: a prisão não é um check-in hoteleiro, e a conversão em prisão domiciliar não será concedida à base de soluços ou tombos noturnos mal explicados.

A ciência médica será o último muro entre Bolsonaro e o pijama da domiciliar?

Será que o homem que receitava cloroquina e desdenhava de máscaras agora confia na “Junta Médica Oficial” para validar suas dores estratégicas? A ironia é deliciosa: Bolsonaro, o cético das vacinas, agora depende de um laudo de Estado para provar que sua saúde é incompatível com o Batalhão da PM. Ao negar o pedido de prisão domiciliar imediata, Moraes retira a política do diagnóstico e coloca a biologia no banco das testemunhas. Se o laudo disser que a esteira e as barras de apoio são suficientes, o “Capitão” terá de aprender que a dor da alma por estar longe do Wi-Fi não se cura em hospitais, mas com o cumprimento do Direito Penal.


O Check-up do Poder: O que a perícia vai vasculhar

Ponto de ConflitoAlegação da DefesaVeredito Preliminar (Moraes)O Papel da Junta Médica
A “Queda da Cama”Gerou riscos e traumas graves.Exames do DF Star não apontam sequelas.Avaliar necessidade de barras extras.
Alimentação“Desconfiança” e insegurança.Cozinha privativa já autorizada no 19º BPM.Definir restrições dietéticas reais.
Sono e FisioterapiaNecessidade de estabilização.Espaço para esteira e bicicleta garantido.Validar se o tratamento exige hospital.
Prisão DomiciliarÚnica saída para a saúde.Negada temporariamente.Dar a palavra final sobre a compatibilidade.

A análise do Diário Carioca é implacável: Moraes está dando corda para que a defesa se enforque em suas próprias contradições. Ao oferecer uma estrutura hospitalar dentro de um batalhão militar, o ministro esvazia o argumento da “falta de estrutura” e isola a tentativa de fuga para a domiciliar. A perícia médica de 10 dias será o termômetro da verdade: ou Bolsonaro é um doente crônico que exige cuidados hospitalares — sob vigilância máxima — ou é apenas um condenado tentando usar a medicina para burlar o destino que a Papuda lhe reservou.


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