
O silêncio obsequioso nunca foi o forte de Silas Malafaia, e não seria agora, com seu pupilo político trocando uma carceragem barulhenta por um Batalhão da PM, que ele fecharia a boca.
O pastor, que amarga uma rejeição de 46% segundo a Quaest, veio a público para colocar um selo de “amém” na articulação política que levou Jair Bolsonaro à Papudinha.
Perspectivas Editoriais
Ao confirmar que Michelle Bolsonaro e Tarcísio de Freitas foram os arquitetos do “sinal positivo” de Alexandre de Moraes, Malafaia não apenas comemora a mudança de ares do ex-presidente; ele escancara a nova hierarquia do poder na direita.
No altar de Malafaia, a gratidão agora é dividida entre o governador que telefona para ministros e a esposa que chora nos gabinetes do STF.
Para o pastor, a transferência é uma “vitória intermediária”, um eufemismo religioso para o que o mercado político chama de redução de danos.
Enquanto a militância bovina mais estridente ainda exige um confronto que Bolsonaro já não tem forças para liderar, Malafaia valida o pragmatismo da dupla Michelle-Tarcísio.
Ao tratar a ida para uma cela de 65 metros quadrados como um avanço, o líder evangélico admite, implicitamente, que a era das bravatas acabou.
O objetivo agora não é mais a revolução golpista, mas garantir que o “Capitão” tenha uma velhice confortável sob a vigilância do Estado, enquanto o espólio eleitoral é devidamente partilhado entre os que sabem transitar pelos mármores de Brasília sem quebrar o decoro.

A comemoração de Malafaia é o reconhecimento de que o bolsonarismo agora joga nas regras de Moraes?
Será que o pastor percebe que, ao exaltar a “influência” de Tarcísio e Michelle junto ao Supremo, ele está legitimando o tribunal que antes chamava de ditatorial?
A virada de chave de Malafaia é sintomática: quando a ideologia colide com a realidade das grades, até o mais fervoroso dos aliados prefere um acordo de bastidor a um martírio infrutífero.
Malafaia agora atua como o relações-públicas de uma transição de liderança: ele santifica a manobra de Tarcísio para que a base radical não veja o governador como um “traidor”, mas como um “libertador” diplomático.
O “Mito” na Papuda é o preço que Malafaia aceita pagar para manter o rebanho unido sob a nova gerência.
A Santíssima Trindade da Sucessão: Quem opera o quê?
| Agente | Papel na Articulação | Discurso Público | Objetivo Real |
| Michelle Bolsonaro | A “Face Humana”. | Preocupação com a saúde e bem-estar. | Manter o controle emocional da base e ser a vice em 2026. |
| Tarcísio de Freitas | O “Articulador Técnico”. | Defesa da ordem e diálogo institucional. | Herdar o espólio eleitoral sem o fardo do radicalismo. |
| Silas Malafaia | O “Avalista Moral”. | Comemoração da “vitória intermediária”. | Evitar a debandada dos fiéis e manter sua relevância política. |
Malafaia está tentando dar uma roupagem de vitória a uma derrota retumbante. Bolsonaro continua preso, condenado a quase três décadas de reclusão, e agora depende da “boa vontade” de seus sucessores para ter uma esteira ergométrica.
Ao comemorar a transferência, o pastor tenta esconder o fato de que o ex-presidente tornou-se um ativo passivo, uma peça de museu que Michelle e Tarcísio guardam com cuidado na Papudinha para que possam usar o seu nome, sem terem que lidar com sua presença disruptiva nas ruas.





