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Entre o delírio e a custódia: novo laudo de Adélio Bispo revela o agravamento de uma mente sitiada

Perícia médica aponta transição para esquizofrenia paranoide e deterioração cognitiva do autor do atentado de 2018; recusa ao tratamento e risco de periculosidade impõem dilema eterno ao sistema penitenciário de segurança máxima.

27 de janeiro de 2026

O caso Adélio Bispo, que há quase oito anos atua como uma ferida aberta no tecido político brasileiro, ganha contornos de tragédia psiquiátrica definitiva.

O novo laudo encaminhado à 5ª Vara Criminal de Campo Grande não deixa margem para o otimismo clínico: o homem que empunhou a faca em Juiz de Fora está agora mergulhado em um abismo de alucinações e distanciamento da realidade.

O diagnóstico evoluiu da dúvida para o veredito da ciência: esquizofrenia paranoide.

A deterioração do quadro

O documento é um retrato da decadência. O que em 2019 foi classificado como transtorno delirante persistente — uma fixação em ideias de perseguição política — degenerou para um comprometimento global das funções mentais.

Os peritos relatam que Adélio não apenas recusa o tratamento medicamentoso, como também vê sua percepção do mundo ser consumida por sombras que o sistema de custódia não consegue dissipar.

A esquizofrenia paranoide, em sua essência, é a falha catastrófica da razão em organizar a experiência humana.

O cárcere da inimputabilidade

A questão que se impõe agora não é mais de ordem penal, mas de segurança pública e dignidade humana.

Considerado inimputável, Adélio vive em um limbo jurídico: não pode ser condenado, mas sua periculosidade, agora agravada pelas alucinações, impede que retorne ao convívio social.

A recomendação para internação em hospital psiquiátrico de custódia é o reconhecimento de que a Penitenciária Federal de Campo Grande, embora segura, é incapaz de oferecer o tratamento que a patologia exige.

A instrumentalização do delírio

Enquanto a medicina diagnostica a falência da mente, a política brasileira continua a instrumentalizar o atentado de 2018.

O agravamento do estado de Adélio serve como um lembrete incômodo de que, por trás das teorias conspiratórias que ambos os lados tentam costurar, existe uma realidade biológica e psíquica inegável.

Adélio Bispo é, ao mesmo tempo, o autor de um ato que mudou o destino de uma nação e uma vítima do seu próprio isolamento mental.

A justiça, agora, enfrenta o desafio de custodiar não apenas um homem, mas o fantasma de uma mente que já não pertence mais a este mundo.

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