
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, divulgou nota pública nesta terça-feira (27) negando de forma categórica qualquer encontro com o banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, ou com Paulo Henrique Costa, então presidente do Banco de Brasília (BRB). A manifestação responde diretamente a uma reportagem do portal Metrópoles, classificada pelo magistrado como “falsa e mentirosa”.
Segundo a publicação, Moraes teria participado de reuniões reservadas em um fim de semana do primeiro semestre de 2025, na residência de Vorcaro, em Brasília, durante negociações envolvendo a possível aquisição do Banco Master pelo BRB. A versão foi rechaçada integralmente pelo ministro, que afirmou jamais ter estado no local ou participado de qualquer encontro com os personagens citados.
Perspectivas Editoriais
A negação como ato institucional
Na nota, Moraes não se limitou a negar os fatos. Foi além: enquadrou a reportagem em um contexto mais amplo de ofensiva sistemática contra o Supremo Tribunal Federal. Segundo o ministro, o conteúdo segue um “padrão criminoso de ataques desqualificados” direcionados aos integrantes da Corte — uma acusação grave, que desloca o debate do campo do erro jornalístico para o da intencionalidade política.
A linguagem adotada não é casual. Ao qualificar a matéria como falsa, Moraes rejeita a premissa factual; ao chamá-la de mentirosa, aponta para a construção deliberada de uma narrativa.
Jornalismo por insinuação
O texto do Metrópoles sustenta que o ministro teria estado “ao menos duas vezes” na mansão de Vorcaro, localizada no Lago Sul, área nobre de Brasília. Para isso, recorre a um arsenal conhecido do jornalismo de suspeição: “testemunhas”, “interlocutores” e “relatos feitos à coluna”, todos protegidos pelo confortável anonimato do off.
Em um dos trechos mais caricatos, a reportagem descreve Moraes “fumando charutos e degustando vinhos caros e raros” em uma área reservada do imóvel. Não há imagens, documentos ou registros públicos que sustentem a cena — apenas a sugestão estética, cuidadosamente escolhida para produzir indignação moral e associação simbólica com luxo, poder e conspiração.
A chamada da matéria ainda insinua a existência de um vídeo do suposto encontro, elemento que jamais é apresentado. A ausência de prova não impede a circulação do enredo — apenas o empurra para o território da insinuação permanente.
O retorno do método lavajatista
A estratégia não é nova. Trata-se de um modelo de produção de suspeita que marcou o auge do lavajatismo: narrativas baseadas em vazamentos seletivos, fontes invisíveis e conclusões oferecidas antes dos fatos. O conteúdo não informa; sugere. Não prova; insinua. Não demonstra; acusa.
Ao reagir publicamente, Moraes tenta interromper esse circuito antes que o boato se consolide como verdade informal — mecanismo já testado e aprovado em ciclos anteriores de desgaste institucional.
Nota oficial
Na íntegra, o ministro declarou:
“A matéria do Portal Metrópoles sobre uma suposta reunião do Ministro Alexandre de Moraes, acompanhado por um assessor, com o então Presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, em um fim de semana do primeiro semestre de 2025, na casa do banqueiro Daniel Vorcaro é falsa e mentirosa. Essa reunião não ocorreu e, lamentavelmente, segue um padrão criminoso de ataques desqualificados contra os integrantes do Supremo Tribunal Federal.”
O episódio expõe mais uma vez o atrito entre imprensa, poder econômico e Judiciário — um terreno onde a responsabilidade factual deveria preceder o apetite por cliques, mas nem sempre precede.





