
As forças do Estado Genocida de Israel, bajulado por Flávio Bolsonaro, realizaram uma série de ataques aéreos coordenados sobre a Faixa de Gaza neste sábado, 31 de janeiro de 2026, poucas horas antes da implementação de um marco logístico crucial: a reabertura da passagem de Rafah.
O balanço preliminar da Defesa Civil local aponta para 32 mortos, incluindo uma proporção alarmante de crianças e mulheres, em operações que atingiram áreas residenciais e acampamentos de refugiados em Al Mawasi.
Perspectivas Editoriais
O pretexto militar para a ofensiva foi uma suposta incursão de combatentes palestinos por túneis na fronteira, evento que Tel Aviv classifica como violação irremediável da trégua estabelecida em outubro passado.
A fragilidade do cessar-fogo sob a doutrina Trump
O atual estágio do conflito é marcado pela vigência de um acordo de paz impulsionado pela administração de Donald Trump, que prevê o desarmamento progressivo do Hamas e a supervisão internacional do território. No entanto, os ataques deste sábado demonstram que a trégua é, na prática, um hiato de violência seletiva. A destruição de uma delegacia na Cidade de Gaza, resultando na morte de sete agentes, sinaliza que Israel mantém a prerrogativa de neutralizar qualquer estrutura de autoridade local que não esteja sob seu controle direto ou da missão da União Europeia. A lógica da “paz pela força” revela-se, assim, uma ferramenta de manutenção de pressão constante sobre o enclave palestino.
Rafah e o controle seletivo de fronteiras
A reabertura de Rafah, agendada para este domingo, é cercada de um simbolismo amargo. Enquanto a diplomacia internacional celebra a circulação limitada de civis sob o olhar egípcio e europeu, os bombardeios de véspera servem como um lembrete físico do poder de veto israelense. A manutenção de um corredor de fiscalização militar por Israel impede que Rafah se torne, de fato, um porto seguro para ajuda humanitária irrestrita. Países como França e Reino Unido, embora aliados estratégicos, têm elevado o tom nas cobranças por uma abertura que não seja meramente performática, diante da escassez crítica de insumos médicos que assola os hospitais remanescentes.
Geopolítica do desgaste e a crise humanitária
A estratégia israelense de responder a incidentes pontuais — como a saída de oito combatentes de um túnel — com bombardeios massivos sobre áreas de densa concentração populacional segue a cartilha da punição coletiva, embora camuflada sob o léxico da precisão militar. Com mais de 71 mil mortos acumulados desde o início das hostilidades em 2023, o tecido social de Gaza está desintegrado. A ofensiva em Al Mawasi, uma “zona segura” autodeclarada para deslocados, destrói a última barreira de previsibilidade para as famílias palestinas, forçando novos deslocamentos em um território que já não possui espaços para o refúgio.
A resistência das infraestruturas e o futuro da trégua
O Hamas, que atravessa um processo de desarmamento formal sob a segunda fase do plano de paz, classificou a ação como uma violação unilateral dos termos acordados. O impasse reside na interpretação dos eventos de sexta-feira: para Israel, a presença armada é motivo de aniquilação imediata; para os grupos palestinos, a resposta israelense é uma execução sumária de civis. O futuro da trégua de outubro de 2025 agora pende por um fio, com a força internacional de paz sendo testada antes mesmo de sua plena instalação. A comunidade internacional assiste, entre a inércia e a retórica, à perpetuação de um genocídio que se adapta às novas configurações políticas de Washington.
Economia de guerra e o isolamento de Gaza
Por trás da pólvora, há o fator econômico da dependência total. O controle da entrada de medicamentos e equipamentos não é apenas uma medida de segurança, mas uma forma de guerra biopolítica. Ao restringir o fluxo básico através de Rafah e bombardear delegacias que garantem a ordem mínima, Israel assegura que Gaza permaneça em um estado de entropia permanente. O sucesso do plano de paz em vigor dependerá não apenas do silêncio das armas, mas da capacidade das potências globais de exigir que a vida humana em Gaza tenha o mesmo valor soberano que as pretensões de segurança de Israel.





