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Veteranos europeus confrontam Washington

Protestos silenciosos em Copenhaga e atos públicos em Milão expõem fratura política inédita entre aliados históricos.

1 de fevereiro de 2026

Veteranos dinamarqueses e manifestantes italianos protestaram neste sábado, 1º de fevereiro de 2026, em Copenhaga e Milão, contra declarações e decisões recentes da administração de Donald Trump que desqualificam aliados militares e ampliam a atuação de agências americanas em solo europeu. O estopim foi a retórica de Washington sobre sacrifícios de guerra, a Groenlândia e o papel do Immigration and Customs Enforcement nos Jogos Olímpicos de Inverno de Milão-Cortina.


O silêncio como acusação em Copenhaga
Marchar em silêncio é mais ruidoso quando a história pesa. Centenas de veteranos dinamarqueses saíram da fortaleza de Kastellet, símbolo vivo das forças armadas do país, até a embaixada dos Estados Unidos em Copenhaga. Não houve palavras de ordem. Houve bandeiras — 52 delas — com nomes de mortos no Afeganistão e no Iraque. Cada nome lido expôs uma contabilidade humana que não cabe em discursos de Davos. A Dinamarca pagou, per capita, um dos preços mais altos entre aliados. O silêncio foi o idioma escolhido para lembrar Washington disso.

Trump, aliados e a hierarquia do sacrifício
Ao afirmar que os EUA “nunca precisaram” de aliados e que estes ficaram “um pouco para trás”, Trump não apenas reescreveu a guerra: instituiu uma hierarquia de sacrifícios. Nela, vidas estrangeiras valem menos quando não sustentam a narrativa doméstica. A retórica ecoa uma lógica transacional de poder que reduz alianças a balanços contábeis. Para veteranos que combateram lado a lado, o desprezo não é retórico; é uma ruptura simbólica que atravessa décadas de cooperação atlântica.

Groenlândia: soberania como nota de rodapé
As falas sobre “controlar” a Groenlândia aprofundam o abismo. A ilha, território autônomo sob a coroa dinamarquesa, tornou-se peça em tabuleiro ártico onde segurança, minerais e rotas marítimas redefinem poder. Ignorar a autodeterminação groenlandesa não é bravata: é sinalização estratégica. Para Copenhaga, soa como aviso de que a proteção coletiva pode ser seletiva quando interesses materiais entram em cena.

Milão e o ICE: memória antifascista em alerta
Em Milão, a praça XXV Aprile — batizada em honra à libertação do fascismo — virou palco de recusa. Sindicatos, partidos e associações da resistência protestaram contra a presença do ICE nos Jogos Olímpicos de Inverno. O slogan “Gelo só em Spritz” sintetizou a rejeição: segurança não pode importar práticas que ferem direitos civis. O prefeito Giuseppe Sala afirmou que agentes não são bem-vindos; o ministro Matteo Piantedosi foi chamado a explicar-se ao Parlamento. A política local confrontou a extraterritorialidade americana.

O custo político da arrogância imperial
Copenhaga e Milão não são episódios isolados. São sintomas de um desgaste estrutural: quando Washington fala, aliados escutam menos; quando decide, resistem mais. A presença esperada de JD Vance e Marco Rubio nos Jogos testará a capacidade dos EUA de recompor confiança. Sem isso, a hegemonia se mantém pela força, não pelo consentimento — e esse é o caminho mais curto para a erosão do poder.


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