A cidade de Buenos Aires tornou-se um campo de batalha na última quarta-feira (11). Manifestantes e forças de choque entraram em confronto direto em frente ao Congresso Nacional durante os protestos contra a reforma trabalhista de Javier Milei. O projeto, que já avançou no Senado após 13 horas de debate, propõe uma reestruturação profunda que retira direitos históricos para, segundo a Casa Rosada, “modernizar” a economia.
Paralelo com o Brasil: Milei, Bolsonaro e Guedes A agenda de Milei guarda semelhanças estruturais com as propostas de Jair Bolsonaro e seu então ministro da Economia, Paulo Guedes. Assim como ocorreu no Brasil com a tentativa da “Carteira Verde e Amarela” e a MP da Liberdade Econômica, o governo argentino foca na redução do custo da mão de obra como motor de crescimento.
- No Brasil: Guedes defendia que o trabalhador deveria escolher entre “ter direitos ou ter emprego”, propondo a redução de encargos e a prevalência do negociado sobre o legislado.
- Na Argentina: Milei vai além, sugerindo a extinção do pagamento de horas extras, a flexibilização total de férias e a facilitação de demissões sem indenizações robustas.
Repressão e Resistência Sindical O clima de tensão escalou quando a polícia utilizou gás de pimenta, balas de borracha e jatos d’água contra os ativistas. Sindicatos como a CGT e grupos do setor industrial criticam a abertura comercial indiscriminada, que já resultou no fechamento de 18 mil empresas e na perda de 300 mil empregos formais desde a posse de Milei, em dezembro de 2023.
O governo, por sua vez, afirma que a reforma é uma exigência do FMI e a única saída para reduzir os 40% de informalidade no mercado de trabalho argentino. O projeto deve ser sancionado antes de 1º de março.
Análise & Contexto
Takeaways:
- Confronto: Dezenas de feridos e pelo menos 30 detidos em Buenos Aires.
- Direitos em Jogo: O texto ataca diretamente a jornada de trabalho e o direito à greve.
- Impacto Econômico: Críticos apontam que a reforma agrava a queda do consumo e a recessão industrial.
- Padrão Regional: A reforma é vista como a face mais radical do neoliberalismo na América Latina.
Fatos-chave:
- Presidente: Javier Milei.
- Votação no Senado: 42 votos a favor e 30 contra.
- Perda de Empregos: 300 mil postos fechados em apenas dois meses de governo.
- Paralelo: Agenda inspirada no modelo “menos direitos, mais empregos” de Bolsonaro/Guedes.





