A sombra da violência política, que historicamente assola a Colômbia, voltou a se projetar sobre a Casa de Nariño. O presidente Gustavo Petro relatou, nesta terça-feira, ter escapado de uma tentativa de assassinato enquanto sobrevoava o departamento de Córdoba. O relato, que descreve horas de tensão e manobras evasivas sobre o mar para evitar possíveis disparos contra o helicóptero presidencial, não é apenas um episódio de insegurança pública, mas um ataque direto à estabilidade democrática do continente. Petro, o primeiro líder de esquerda a governar o país, enfrenta agora o recrudescimento de uma guerra que mistura ideologia e o poder financeiro brutal do narcotráfico.
O Narcotráfico como Ator Político e a Estratégia do Medo
Segundo o mandatário, o plano de ataque foi orquestrado por grupos narcotraficantes que dominam a região de Córdoba. A decisão de não pousar e permanecer no ar por horas reflete o estado de sítio invisível imposto por cartéis que veem nas políticas de “Paz Total” de Petro uma ameaça aos seus domínios territoriais. Para o Diário Carioca, este episódio sublinha uma verdade incômoda: na Colômbia, a transição para um modelo de justiça social e combate às desigualdades esbarra na resistência armada de uma economia ilícita que se recusa a ceder espaço ao Estado de Direito. O medo dos disparos não era apenas um receio pessoal, mas o reconhecimento de que o vácuo de poder em certas regiões ainda é preenchido pela pólvora.
A Maldição da Memória e as Eleições Presidenciais
O suposto atentado ocorre em um momento crítico, às vésperas de novas eleições presidenciais. A Colômbia carrega a cicatriz de assassinatos de líderes que ousaram desafiar o status quo — de Jorge Eliécer Gaitán a Luis Carlos Galán. Ao denunciar a tentativa de assassinato, Petro evoca essa memória coletiva para alertar sobre o risco de retrocesso. A escalada da violência no país, alimentada pela fragmentação de grupos dissidentes e novas facções criminosas, coloca em xeque a capacidade das instituições colombianas de garantirem um pleito seguro e livre de coerção paramilitar.
Impacto Regional e a Defesa das Democracias Progressistas
A tentativa de silenciar Gustavo Petro ressoa em toda a América Latina. O avanço de governos progressistas na região tem sido sistematicamente confrontado por forças que operam à margem da lei, utilizando o terror como ferramenta de pressão política. A resposta da comunidade internacional deve ser firme no apoio à soberania colombiana e na proteção da vida de seus representantes eleitos. O fato denso que resta após o susto em Córdoba é que a democracia na Colômbia continua sendo um exercício de alto risco, onde a sobrevivência física do presidente é, em si, um ato de resistência contra as estruturas do narcopoder.
Análise & Contexto
Takeaways:
- Gustavo Petro denunciou um plano de assassinato orquestrado por narcotraficantes em Córdoba.
- A aeronave presidencial evitou o pouso e sobrevoou o mar por horas por razões de segurança.
- O evento intensifica a tensão política no período pré-eleitoral colombiano.
- O histórico de violência política contra líderes de esquerda na Colômbia eleva a gravidade do relato.





