A Marquês de Sapucaí, historicamente o maior tribunal popular do Brasil, prepara-se para um embate de narrativas que promete incendiar o Carnaval de 2026. Em um movimento que mistura o escracho da comédia com a gravidade da história recente, o humorista Marcelo Adnet foi escalado para interpretar o ex-presidente Jair Bolsonaro no desfile da Acadêmicos de Niterói. A agremiação, que dedica seu enredo à trajetória de Luiz Inácio Lula da Silva, não pretende poupar críticas ao período recente, transformando um carro alegórico em um palco para a representação da tentativa de ruptura democrática que marcou o país.
A Estética do Riso contra a Sombra do Autoritarismo
Adnet, cujas imitações de Bolsonaro tornaram-se virais pela precisão cirúrgica e pelo tom ácido, ocupará um lugar estratégico no desfile. Sua participação não é meramente performática; é o uso da sátira como ferramenta de desconstrução política. O carro alegórico que retrata a “tentativa de golpe” servirá como um lembrete visual e performativo dos ataques às instituições. Para o Diário Carioca, a presença de Adnet na avenida reafirma o Carnaval como um espaço de resistência onde o riso é utilizado para exorcizar os traumas coletivos e ridicularizar figuras que atentaram contra o pacto social.
O Camarote do Poder e o Constrangimento da Direita
A encenação ocorrerá sob o olhar direto do homenageado. O presidente Lula já confirmou presença no camarote do prefeito Eduardo Paes, consolidando o domingo de Carnaval como um ato de afirmação política do governo. Enquanto a oposição tenta, sem sucesso, judicializar a participação da primeira-dama Janja no desfile, a presença de Adnet como o antagonista caricato de Lula eleva a voltagem da disputa de imagem. É a política brasileira em seu estado mais puro: teatral, ruidosa e profundamente simbólica, onde a derrota eleitoral e jurídica de Bolsonaro é reafirmada através da paródia em rede nacional.
Do Viral ao Sambódromo: A Evolução da Crítica
Marcelo Adnet tem pavimentado esse caminho há anos, utilizando suas redes sociais para expor as contradições da extrema-direita — como fez recentemente ao satirizar o apoio de Bolsonaro ao “tarifaço” de Donald Trump em 2025. Ao levar essa persona para a Sapucaí, Adnet retira a imitação do ambiente controlado da internet e a joga no caos da avenida. O desfile da Acadêmicos de Niterói, portanto, não é apenas uma homenagem a um líder popular, mas uma crônica visual da resiliência democrática. O Brasil que samba em 2026 é o mesmo que sobreviveu ao estresse institucional, e a figura de Adnet no alto de um carro alegórico será a personificação desse alívio coletivo.
Análise & Contexto
Takeaways:
- Marcelo Adnet utilizará sua imitação viral de Bolsonaro para retratar o período golpista na avenida.
- O desfile marca uma rara convergência de homenagem direta a um presidente em exercício com a presença do próprio no local.
- A sátira política reforça o papel do Carnaval carioca como cronista das tensões democráticas.
- O evento consolida a aliança política entre Lula e Eduardo Paes em pleno coração do Rio de Janeiro.





