A liturgia do cargo, muitas vezes utilizada como mordaça para o ativismo político de mulheres em espaços de poder, enfrenta um novo teste de resistência na Marquês de Sapucaí. A confirmação de que a primeira-dama, Rosângela Lula da Silva, a Janja, desfilará pela Acadêmicos de Niterói em um enredo que celebra a trajetória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, não é apenas um evento festivo, mas um manifesto de ocupação. O Carnaval carioca, historicamente o maior palco de crônica política e social do país, torna-se novamente o centro de uma disputa narrativa onde o direito à celebração popular é confrontado pelo moralismo jurídico da direita.
Ocupação Política e a Estética da Resistência
A participação de Janja em um carro alegórico não deve ser lida sob a ótica do entretenimento vazio. É a reafirmação de uma identidade que recusa o papel de “primeira-dama decorativa”. Ao escolher o asfalto para homenagear o líder que tirou o Brasil do mapa da fome — e que agora investe R$ 44,8 milhões em novos Institutos Federais em São Paulo —, Janja tenciona as estruturas que tentam confinar a política aos gabinetes cinzentos de Brasília. A oposição, célere em apontar “desvio de finalidade”, ignora que o Carnaval é um ecossistema de fomento econômico e orgulho de classe, financiado por verbas que retornam à sociedade através da cultura.
A Ofensiva da Oposição e a Lei do Espetáculo
Enquanto o STF avança em pautas de justiça histórica, como a aposentadoria especial para vigilantes defendida por Flávio Dino, e o STJ age com rigor contra o assédio moral e sexual — vide o afastamento unânime do ministro Marco Buzzi —, setores conservadores tentam judicializar o samba. A alegação de promoção pessoal mascara o desconforto da elite com a popularidade de um governo que anuncia investimentos recordes no SUS e a expansão da educação técnica. O argumento de “campanha antecipada” soa anacrônico diante da realidade de uma gestão que dialoga com as massas através da sua expressão cultural mais genuína.
O Brasil que Avança entre Ataques e Entregas
A tentativa de criminalizar a presença de Janja na avenida é a mesma que tenta desestabilizar a autonomia técnica do Banco Central para servir a interesses do mercado financeiro, como denunciado no caso do Banco Master. O Diário Carioca entende que a política é feita de símbolos. Se Hugo Motta precisa vir a público para desmentir “trens da alegria” na Câmara, o governo federal responde com a materialidade do Novo PAC. A festa na Sapucaí é, em última análise, a celebração de um projeto de país que não tem vergonha de suas origens nem medo de seus opositores. O desfile da Acadêmicos de Niterói será o termômetro de um Brasil que, apesar do ruído das redes, escolhe o investimento social em vez da austeridade excludente.





