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Cabra Macho

Lula: “Trump não provocaria o Brasil se soubesse do meu parentesco com Lampião”

Em São Paulo, presidente usa o "sangue de Lampião" como metáfora de resistência frente ao hegemonismo americano.

Em um cenário global onde a diplomacia muitas vezes se ajoelha diante da força bruta do dólar, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva decidiu sacar uma arma simbólica do arsenal da identidade brasileira. Durante cerimônia no Instituto Butantan, nesta segunda-feira (9), Lula disparou uma frase que mistura o lúdico com o profundamente político: “Trump não provocaria o Brasil se soubesse do meu parentesco com Lampião”. A fala, embora envolta em risos, carrega a densidade de um manifesto de soberania que o Diário Carioca analisa como uma demarcação de território psicológico.

Ao evocar o “Rei do Cangaço”, Lula não está apenas fazendo uma piada de palanque; ele está mobilizando o arquétipo da resistência sertaneja contra o imperialismo estético e político representado por Washington. Em um momento de tensões crescentes e tarifas alfandegárias iminentes, o presidente brasileiro sinaliza que o país não aceitará o papel de satélite passivo. A metáfora de Lampião serve como um lembrete de que o Brasil possui uma raiz de insurgência que não se intimida com o show de luzes da política de espetáculo norte-americana.

O Multilateralismo como Escudo Antifascista

Para além da bravata folclórica, o discurso de Lula no Butantan — um bastião da ciência e da autonomia nacional — focou na reconstrução do multilateralismo. O presidente reforçou que a estabilidade mundial pós-1945 não foi um presente das grandes potências, mas um esforço coletivo que agora corre risco sob o isolacionismo tóxico de Trump. Lula defende uma narrativa de cooperação que neutralize a agressividade unilateral, preparando o terreno para sua viagem aos Estados Unidos em março.

O “parentesco com Lampião” é, na verdade, a face pública de uma estratégia de sobrevivência das nações do Sul Global. O confronto direto é evitado, mas a submissão é terminantemente descartada. Ao buscar o fortalecimento de instituições internacionais e blocos regionais, o Brasil tenta criar um cinturão de segurança contra as ondas de instabilidade que emanam da Casa Branca. A ciência brasileira, representada pelo Butantan, é a prova de que a resistência lulista é intelectual e tecnológica, muito mais do que meramente retórica.

Takeaways:

  • A utilização de símbolos da cultura popular (cangaço) como ferramenta de soft power diplomático.
  • O posicionamento firme contra o unilateralismo de Donald Trump através da defesa das instituições globais.
  • A reafirmação da ciência nacional (Butantan) como pilar da soberania brasileira.
  • O preparo de uma agenda de “resistência pragmática” para a visita presidencial a Washington em março de 2026.

Fatos-chave:

  • Data da declaração: 09 de fevereiro de 2026.
  • Local: Instituto Butantan, São Paulo.
  • Figura histórica citada: Lampião (Virgulino Ferreira da Silva).
  • Próximo passo diplomático: Viagem aos EUA em março de 2026.
  • Instituição sede: Butantan (referência em produção de vacinas e pesquisa).
  • Eixo político: Defesa do multilateralismo e soberania nacional.
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