Enquanto os blocos de rua do Rio de Janeiro lutam por infraestrutura mínima e as escolas de samba dependem de repasses complexos, a gestão de Cláudio Castro (PL) decidiu onde reside sua verdadeira prioridade orçamentária. No Diário Oficial desta semana, o governo estadual formalizou o patrocínio de quase R$ 5 milhões para o evento “Família ao Pé da Cruz”, organizado pela Igreja Universal do Reino de Deus (IURD). O montante, que sai diretamente dos cofres públicos de um estado em regime de recuperação fiscal, financiará dois dias de atividades no Maracanã, previstos para 3 de março e 3 de abril de 2026.
A decisão de Castro, um dos principais aliados do bolsonarismo no Sudeste, não é apenas um ato administrativo; é um manifesto de aparelhamento da máquina estatal em prol de um projeto de poder religioso. Ao destinar recursos públicos vultosos para uma denominação específica, o governador ignora o princípio da laicidade do Estado e utiliza o erário para consolidar alianças com a cúpula da IURD. Em um cenário de crise na segurança pública e precariedade na saúde fluminense, a “benevolência” de R$ 5 milhões para um evento de caráter estritamente religioso soa como um escárnio contra o contribuinte que não compartilha da mesma cartilha teológica.
O Maracanã como Púlpito Eleitoral
O uso do Maracanã — templo máximo do esporte brasileiro e patrimônio público — para a realização desses eventos reforça a simbiose entre o governo do PL e as lideranças evangélicas. Sem contrapartidas claras detalhadas no ato administrativo, o repasse milionário aparece como um “cheque em branco” para a mobilização de bases eleitorais. A ausência de especificações sobre o uso do dinheiro público em um evento que, na prática, funciona como um grande culto, abre precedentes perigosos para a fiscalização do Tribunal de Contas do Estado (TCE).
Justiça Social e a Seletividade do Investimento
A crítica progressista é direta: não se trata de intolerância religiosa, mas de justiça distributiva e respeito à Constituição. Onde estão os editais de R$ 5 milhões para a preservação dos terreiros de candomblé e umbanda, alvos constantes de ataques no estado? Onde está o investimento equivalente para a cultura popular periférica que não está sob o guarda-chuva de grandes instituições religiosas? A gestão Castro, ao privilegiar a Igreja Universal, aprofunda a desigualdade no acesso a recursos públicos e transforma o Rio de Janeiro em um laboratório de teocracia disfarçada de “apoio à família”.
Análise & Contexto
O patrocínio ao “Família ao Pé da Cruz” é o retrato fiel de uma administração que governa para os seus, utilizando a fé como moeda de troca política. Enquanto o Rio tenta se recuperar de anos de desmonte, o dinheiro que deveria garantir direitos básicos é desviado para o pé da cruz da conveniência eleitoral de 2026.
Takeaways:
- O repasse de R$ 5 milhões para a IURD fere o princípio do Estado Laico e a prioridade de gastos públicos.
- O patrocínio ocorre em um momento de fragilidade fiscal do Estado do Rio de Janeiro.
- A falta de contrapartidas detalhadas no Diário Oficial levanta suspeitas sobre o uso político do recurso.
- A gestão de Cláudio Castro reafirma sua dependência e alinhamento com pautas teocráticas da extrema-direita.
Fatos-chave:
- Valor do Patrocínio: Aproximadamente R$ 5 milhões.
- Beneficiário: Igreja Universal do Reino de Deus (IURD).
- Local: Estádio do Maracanã, Rio de Janeiro.
- Datas: 3 de março e 3 de abril de 2026.
- Responsável: Governo do Estado do Rio de Janeiro (Gestão Cláudio Castro – PL).
- Contexto: Publicado oficialmente no Diário Oficial do Estado.





