O encerramento do Carnaval carioca em 2026 não será apenas um desfile, mas um ato de ocupação política e afetiva do Centro do Rio. No dia 22 de fevereiro, o Monobloco assume o protagonismo do calendário oficial com o tema “Pode entrar que a casa é sua”. Mais do que um convite à folia, o mote é um manifesto pela democratização do espaço público e pela inclusividade radical, reafirmando o asfalto como o território onde a diversidade brasileira se reencontra sem as barreiras da desigualdade institucional.
O cortejo, que percorre o Circuito Preta Gil, carrega este ano uma densidade intelectual profunda ao homenagear pilares da resistência negra e feminina na música brasileira. A celebração de Arlindo Cruz e Preta Gil no repertório — que inclui sucessos como “O Show Tem Que Continuar” e “Sinais de Fogo” — serve como lembrete da importância de proteger nossos tesouros vivos e o legado de quem enfrentou o estigma para popularizar a alegria. Além disso, o lançamento do álbum “Mar de Aragão”, focado na obra de Jorge Aragão, marca o retorno do bloco às produções de inéditas após 12 anos, consolidando a bateria como uma orquestra de pesquisa e preservação do samba.
A Bateria como Escola de Diversidade e Interação
O mestre Celso Alvim e o vocalista Pedro Luís conduzem o Monobloco em um passeio geopolítico pela sonoridade nacional. A inovação de 2026 reside na interação inédita entre a Comissão de Frente e a bateria. Pela primeira vez, a coreografia — uma homenagem especial a Preta Gil — será integrada ao ritmo dos surdos e tamborins em tempo real na Rua Primeiro de Março. Essa sinergia simboliza a quebra de hierarquias no espetáculo, onde o corpo que dança e o corpo que toca tornam-se um único organismo político em defesa da festa popular.
Identidade Visual e a Retomada dos Símbolos
A estética do desfile também olha para trás para projetar o futuro. A arte da camiseta, desenvolvida pelo designer Ernani Cal, é uma releitura do primeiro uniforme do bloco, resgatando o icônico boneco do Monobloco. Essa volta às origens, num momento de intensa mercantilização da folia, é um gesto de proteção da memória do Carnaval de rua. O Monobloco prova que a sofisticação pode ser democrática e que o “Made in Brasil” autêntico é aquele que acolhe, inclui e reverencia seus mestres, do pagode ao funk, sob a égide da liberdade coletiva.
Análise & Contexto
Takeaways:
- O tema 2026 foca na inclusividade e no direito à cidade através do Carnaval de rua.
- O repertório funciona como um arquivo vivo da música negra (Arlindo Cruz e Jorge Aragão).
- A integração entre coreografia e bateria sinaliza uma evolução técnica e estética no bloco.
- O novo álbum “Mar de Aragão” marca o compromisso com a renovação da composição nacional.
- O encerramento no dia 22 de fevereiro consolida o Monobloco como o guardião final da folia carioca.
Fatos-chave:
- Data do desfile: 22 de fevereiro de 2026.
- Local: Rua Primeiro de Março (Centro, RJ).
- Concentração: 7h da manhã.
- Início: 9h da manhã.
- Homenageados: Arlindo Cruz, Preta Gil e Jorge Aragão.
- Álbum: “Mar de Aragão” (Composições de Jorge Aragão).
- Arte: Ernani Cal (Estudio Nü-Dés).





