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Monobloco vai ocupar a Primeiro de Março com manifesto de hospitalidade e justiça cultural

Sob o enredo “Pode entrar que a casa é sua”, o bloco encerra o Carnaval 2026 celebrando o legado de Arlindo Cruz e Preta Gil.

JR Vital
JR Vital fev. 16, 2026

O encerramento do Carnaval carioca em 2026 não será apenas um desfile, mas um ato de ocupação política e afetiva do Centro do Rio. No dia 22 de fevereiro, o Monobloco assume o protagonismo do calendário oficial com o tema “Pode entrar que a casa é sua”. Mais do que um convite à folia, o mote é um manifesto pela democratização do espaço público e pela inclusividade radical, reafirmando o asfalto como o território onde a diversidade brasileira se reencontra sem as barreiras da desigualdade institucional.

O cortejo, que percorre o Circuito Preta Gil, carrega este ano uma densidade intelectual profunda ao homenagear pilares da resistência negra e feminina na música brasileira. A celebração de Arlindo Cruz e Preta Gil no repertório — que inclui sucessos como “O Show Tem Que Continuar” e “Sinais de Fogo” — serve como lembrete da importância de proteger nossos tesouros vivos e o legado de quem enfrentou o estigma para popularizar a alegria. Além disso, o lançamento do álbum “Mar de Aragão”, focado na obra de Jorge Aragão, marca o retorno do bloco às produções de inéditas após 12 anos, consolidando a bateria como uma orquestra de pesquisa e preservação do samba.

A Bateria como Escola de Diversidade e Interação

O mestre Celso Alvim e o vocalista Pedro Luís conduzem o Monobloco em um passeio geopolítico pela sonoridade nacional. A inovação de 2026 reside na interação inédita entre a Comissão de Frente e a bateria. Pela primeira vez, a coreografia — uma homenagem especial a Preta Gil — será integrada ao ritmo dos surdos e tamborins em tempo real na Rua Primeiro de Março. Essa sinergia simboliza a quebra de hierarquias no espetáculo, onde o corpo que dança e o corpo que toca tornam-se um único organismo político em defesa da festa popular.

Identidade Visual e a Retomada dos Símbolos

A estética do desfile também olha para trás para projetar o futuro. A arte da camiseta, desenvolvida pelo designer Ernani Cal, é uma releitura do primeiro uniforme do bloco, resgatando o icônico boneco do Monobloco. Essa volta às origens, num momento de intensa mercantilização da folia, é um gesto de proteção da memória do Carnaval de rua. O Monobloco prova que a sofisticação pode ser democrática e que o “Made in Brasil” autêntico é aquele que acolhe, inclui e reverencia seus mestres, do pagode ao funk, sob a égide da liberdade coletiva.

CARNAVAL

Análise & Contexto

O desfile do Monobloco em 2026 atua como um pilar de justiça social ao garantir um encerramento democrático e gratuito para a folia. Ao exaltar o legado de ícones negros da música brasileira, o bloco reforça a soberania cultural e o papel da rua como arena de resistência e união popular.

Takeaways:

  • O tema 2026 foca na inclusividade e no direito à cidade através do Carnaval de rua.
  • O repertório funciona como um arquivo vivo da música negra (Arlindo Cruz e Jorge Aragão).
  • A integração entre coreografia e bateria sinaliza uma evolução técnica e estética no bloco.
  • O novo álbum “Mar de Aragão” marca o compromisso com a renovação da composição nacional.
  • O encerramento no dia 22 de fevereiro consolida o Monobloco como o guardião final da folia carioca.

Fatos-chave:

  • Data do desfile: 22 de fevereiro de 2026.
  • Local: Rua Primeiro de Março (Centro, RJ).
  • Concentração: 7h da manhã.
  • Início: 9h da manhã.
  • Homenageados: Arlindo Cruz, Preta Gil e Jorge Aragão.
  • Álbum: “Mar de Aragão” (Composições de Jorge Aragão).
  • Arte: Ernani Cal (Estudio Nü-Dés).

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