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Realidade Brasileira

Lula no asfalto e o “palhaço” Bolsonaro na cadeia: O desfile da Acadêmicos de Niterói que sacudiu a ordem burguesa

Com Paulo Vieira encarnando o "Operário do Brasil", escola de Niterói leva a luta de classes para a Sapucaí e ironiza a extrema-direita.

JR Vital
JR Vital fev. 16, 2026

A abertura do Grupo Especial do Rio de Janeiro em 2026 ficará marcada como o momento em que a Marquês de Sapucaí se transformou em um tribunal popular de justiça social. A Acadêmicos de Niterói não apenas desfilou; ela ocupou o território da elite para celebrar a trajetória de Luiz Inácio Lula da Silva, o retirante que se tornou o maior líder da história do país. Sob o enredo “Do alto do Mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil”, a agremiação narrou a epopeia de dona Lindu e seus filhos em 13 dias de resistência, culminando na ascensão do movimento sindical e na chegada ao poder.

O desfile foi um manifesto explícito da esquerda brasileira. O ator Paulo Vieira, com sua verve popular, interpretou Lula na avenida, enquanto o próprio presidente, em um gesto de quebra de protocolo, desceu do camarote para sentir o calor do povo no asfalto. O samba-enredo, em tom de hino, não fugiu da identidade política: entoou o clássico “Olê, olê, olê, olá” e exaltou o número 13, reafirmando que o Carnaval é, por excelência, o espaço da soberania das massas e da afirmação partidária de quem defende os trabalhadores.

@diariocarioca

Lula no asfalto e o “palhaço” Bolsonaro na cadeia: O desfile da Acadêmicos de Niterói que sacudiu a ordem burguesa @lulaoficial carnaval semanistia bolsonaro #riodejaneiro A Acadêmicos de Niterói rompeu com a neutralidade estética ao levar a luta de classes para o centro do Carnaval 2026. Ao satirizar a queda de Bolsonaro e exaltar a soberania de Lula, o desfile atua como um manifesto de justiça social e reparação histórica, consolidando a Sapucaí como o maior palanque da resistência de esquerda no Brasil.

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O “Palhaço Preso” e a Justiça Histórica

A estética da escola serviu como ferramenta de denúncia contra o autoritarismo. Uma das alegorias mais comentadas trouxe uma representação inequívoca de Jair Bolsonaro como um “palhaço na prisão”. Vestido com trajes listrados e ostentando uma tornozeleira eletrônica violada — em referência à sua prisão em novembro de 2025 —, a figura simbolizou a derrocada da extrema-direita e o triunfo da democracia. Para os foliões de esquerda, foi o ápice da justiça simbólica, expondo o ridículo de quem tentou destruir o pacto social brasileiro.

POLíTICA

Análise & Contexto

Com Paulo Vieira encarnando o "Operário do Brasil", escola de Niterói leva a luta de classes para a Sapucaí e ironiza a extrema-direita.

A Blindagem de Janja e a Reação da Direita

Embora a primeira-dama Janja tenha decidido não desfilar para neutralizar a perseguição jurídica da oposição — que já se movimenta com acusações vazias de “propaganda antecipada” —, sua influência foi sentida em cada ala. A substituição pela voz democrática de Fafá de Belém manteve o tom de resistência. A gritaria da direita sobre os R$ 12 milhões destinados ao Carnaval ignora que investir na maior festa popular do mundo é investir na economia criativa e na soberania cultural, algo que o campo progressista compreende como pilar de desenvolvimento humano e não como simples gasto.

Takeaways:

  • Acadêmicos de Niterói abriu o Grupo Especial com uma homenagem histórica a Lula.
  • Paulo Vieira interpretou o presidente na avenida; Lula desceu para saudar os foliões.
  • Alegoria representou Bolsonaro como presidiário, com tornozeleira eletrônica violada.
  • O samba incluiu referências diretas ao PT, ao número 13 e ao clássico “Olê, olê, olá”.
  • A oposição tentou judicializar o desfile, mas a escola manteve o foco na resistência popular.

Fatos-chave:

  • Data: 15 para 16 de fevereiro de 2026.
  • Enredo: “Lula, o operário do Brasil”.
  • Local: Marquês de Sapucaí, Rio de Janeiro.
  • Valor investido: R$ 12 milhões do Governo Federal para as escolas do Rio.
  • Referências Culturais: Menções a Janja e ao filme “Ainda Estou Aqui”.

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