O Estrategista

Sob o espectro das urnas, Lula prepara a sucessão de Haddad para blindar a Fazenda contra o populismo

Enquanto o atual ministro é empurrado para o front eleitoral em São Paulo, o Planalto articula uma transição técnica com Dario Durigan para evitar que o mercado fareje instabilidade.
Fernando Haddad - Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil
Fernando Haddad - Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil
Por JR Vital JR Vital — Analista Geopolítico
JR Vital
JR Vital Analista Geopolítico
● Fato Verificado

Jornalista do Diário Carioca.

A iminente saída de Fernando Haddad do Ministério da Fazenda não é apenas uma movimentação de cadeiras, mas um realinhamento estratégico que evoca o pragmatismo lulista de 2002.

Ao projetar nomes técnicos como Dario Durigan, ou Rogério Ceron, o governo tenta mimetizar a transição Palocci-Mantega, mas sob uma ótica de 2026: proteger a política fiscal da autofagia eleitoral e, simultaneamente, lançar Haddad como um “super-candidato” capaz de reconquistar o cinturão de São Paulo contra o avanço da extrema-direita.

OS FATOS:

  • Fernando Haddad deve deixar o ministério em fevereiro para coordenar ou integrar a chapa governista em 2026.
  • Dario Durigan (Secretário-Executivo) surge como o favorito para garantir a continuidade da agenda econômica.
  • O prazo fatal de desincompatibilização em abril força uma reforma ministerial ampla no primeiro escalão.

O pragmatismo técnico como antídoto ao caos

A política econômica brasileira sempre foi um campo de batalha entre a necessidade de responsabilidade social e o apetite voraz do rentismo internacional. No entanto, a estratégia de Lula para substituir Haddad parece mirar em um porto seguro: a tecnocracia leal. Dario Durigan, atual número dois da pasta, representa a manutenção de um diálogo polido com a Faria Lima, sem abdicar das diretrizes de soberania nacional que o Diário Carioca sempre defendeu.

A possível candidatura de Haddad ao Governo de São Paulo ou ao Senado é uma peça de resistência. Retirá-lo da linha de frente da arrecadação para colocá-lo na linha de frente do debate público é uma tentativa de humanizar a gestão econômica que, por vezes, pareceu excessivamente técnica. O paralelo histórico é claro: assim como em momentos de crise no passado, o governo busca figuras que não causem sobressaltos, mantendo o controle da inflação e o crescimento do PIB longe das garras do oportunismo fascista.

A Dança das Cadeiras na Fazenda: Cenários para 2026

NomeCargo AtualPerfil PolíticoProbabilidade de Ascensão
Dario DuriganSecretário-ExecutivoTécnico de confiança, interlocutor do mercadoAlta (Continuidade)
Rogério CeronSecretário do TesouroEspecialista em contas públicas e dívidaMédia (Foco Fiscal)
Fernando HaddadMinistro da FazendaArticulador político e intelectual do PTSaída para a Eleição

O perigo da desincompatibilização precoce

O esvaziamento do ministério em abril é um rito democrático, mas também um flanco aberto para a especulação financeira. O Diário Carioca entende que a saída de Haddad deve ser feita com a precisão de um cirurgião, para que o vácuo não seja preenchido pela sanha imperialista que deseja a privatização de ativos estratégicos sob o pretexto de “ajuste”. A economia deve servir ao povo, e a transição na Fazenda será o teste de fogo para saber se o projeto de país iniciado em 2023 terá fôlego para resistir aos ataques que virão nas urnas.

A saída de Fernando Haddad da Fazenda pode gerar instabilidade nos indicadores econômicos?

Dificilmente, desde que a substituição seja por um nome da própria estrutura interna, como Durigan ou Ceron. O mercado já precificou a saída de Haddad para o jogo eleitoral, e a manutenção da equipe técnica sinaliza que as diretrizes do Arcabouço Fiscal e da Reforma Tributária serão mantidas, independentemente do titular da pasta.

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