Mercosul

Lula é recebido por Javier Milei na Argentina

Presidente assume liderança do bloco sul-americano e reforça apoio à ex-mandatária argentina, Cristina, adversária de Milei
Por JR Vital JR Vital — Analista Geopolítico
JR Vital
JR Vital Analista Geopolítico
● Fato Verificado

Jornalista do Diário Carioca.

Buenos Aires, 3 de julho de 2025 – Em meio a divergências políticas explícitas, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) desembarcou nesta quinta-feira na Argentina para assumir a presidência rotativa do Mercosul, atualmente liderado pelo governo de Javier Milei. A visita reforça a distância entre os dois chefes de Estado e simboliza o realinhamento estratégico do Brasil dentro do bloco sul-americano.

Ao chegar a Buenos Aires, Lula foi recebido formalmente por Milei, em um cumprimento protocolar sem qualquer gesto de reaproximação. A agenda oficial do presidente brasileiro exclui qualquer reunião bilateral com o líder argentino — que já o chamou de “corrupto” em diversas ocasiões. Em contrapartida, Lula reservou tempo para visitar a ex-presidente Cristina Kirchner, opositora direta de Milei.


Reunião com Milei: curta, fria e sem diálogo político

O primeiro contato entre os dois presidentes foi estritamente institucional: troca de cumprimentos e a foto oficial da cúpula. Segundo assessores da presidência brasileira, não houve conversa privada, e os dois apenas “cumpriram o protocolo”. O clima entre os líderes é marcado por hostilidade mútua e falta de interlocução política.

Milei tem sido um crítico ácido de Lula e de seu governo, inclusive durante a campanha eleitoral que o levou à presidência da Argentina. Em várias ocasiões públicas, classificou o petista como “autoritário” e se recusou a reconhecê-lo como aliado regional.


Lula prioriza Cristina Kirchner em gesto político calculado

Em movimento que evidenciou o distanciamento com o governo atual da Argentina, Lula fez questão de se encontrar com Cristina Kirchner, ex-presidente e símbolo da oposição peronista a Milei. O gesto, segundo fontes diplomáticas, teve valor estratégico: reforçar a interlocução do Brasil com setores progressistas da política argentina.

O Diário Carioca apurou que, durante o encontro, Lula e Kirchner discutiram os rumos da economia sul-americana e os desafios enfrentados pelo Mercosul diante das tensões ideológicas entre os países-membros. Kirchner, por sua vez, voltou a criticar o governo Milei e o que chama de “projeto econômico destrutivo”.


Discurso de Kirchner acirra crise política na Argentina

Durante conversa com Lula, Cristina reiterou críticas à condução da política econômica de Milei. Em pronunciamento recente, ela afirmou que o governo argentino “grita como um louco, mas não entrega resultados”, criticando o êxodo de dólares e o desinteresse de investidores.

A ex-presidente também acusou Milei de “ameaçar a democracia com retórica autoritária”, sugerindo que o presidente argentino substitui estratégia por espetáculo. As declarações inflamaram ainda mais a crise institucional interna e contribuíram para o isolamento político do atual governo.


Presidência do Mercosul e agenda com a União Europeia

Apesar das tensões bilaterais, Lula assumiu oficialmente a presidência temporária do Mercosul com o objetivo de retomar o protagonismo brasileiro no bloco e concluir o acordo comercial com a União Europeia. A missão será desafiadora, dado o cenário de rupturas políticas entre os países-membros.

A presidência brasileira deve durar até dezembro de 2025 e terá como foco a integração produtiva, a proteção ambiental e a revalorização da democracia regional. A relação com a Argentina, no entanto, continuará sob constante tensão.


O Diário Carioca contextualiza

A relação entre Lula e Milei é marcada por atritos públicos e visões de mundo opostas. Enquanto Lula defende a integração regional com base em cooperação política, Milei adota uma abordagem isolacionista e confrontadora, alinhada a pautas ultraliberais e aos Estados Unidos.


O Carioca Esclarece

Presidência rotativa do Mercosul: a cada seis meses, um país assume a liderança do bloco e fica responsável por conduzir as agendas prioritárias e representar o grupo internacionalmente.


FAQ – Perguntas Frequentes

1. Por que Lula não se reuniu com Milei?
Por causa das tensões políticas e declarações ofensivas anteriores de Milei contra Lula, não houve interesse mútuo em realizar uma reunião bilateral.

2. Qual o objetivo da visita de Lula à Argentina?
Assumir a presidência temporária do Mercosul e reforçar alianças políticas e comerciais no âmbito do bloco.

3. O que significa o encontro entre Lula e Cristina Kirchner?
É um gesto simbólico que mostra o alinhamento político do governo brasileiro com setores progressistas argentinos, em oposição ao governo Milei.


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