Trump manda investigar o Brasil e ameaça com sanção digital usada contra a China

EUA acionam lei da era China para investigar supostas práticas desleais do Brasil. Lula articula resposta diplomática com tom firme
Donald Trump
Imagem de John Hain por Pixabay
Por JR Vital JR Vital — Analista Geopolítico
JR Vital
JR Vital Analista Geopolítico
● Fato Verificado

Jornalista do Diário Carioca.

Brasília — 9 de julho de 2025 – Donald Trump comunicou formalmente a Lula a abertura de investigação contra o Brasil, acusando o país de prejudicar empresas digitais americanas.


Trump voltou ao ataque — agora, mirando a economia digital brasileira com o mesmo revanchismo que aplicou à China.

A carta enviada ao presidente Lula nesta terça-feira veio sem rodeios. Nela, Donald Trump acusa o Brasil de “atacar sistematicamente” empresas digitais dos Estados Unidos e determina ao seu Representante de Comércio, Jamieson Greer, a abertura imediata de uma investigação com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974 — um dispositivo jurídico notoriamente usado para justificar retaliações econômicas em guerras comerciais.

O gesto, classificado por diplomatas brasileiros como “hostil, intempestivo e eleitoral”, reacende o conflito geopolítico entre o Brasil de Lula e os EUA sob Trump. Mais do que uma questão de tarifas, trata-se de uma tentativa explícita de desestabilização e intimidação política.

Reincidência imperial

A Seção 301 foi usada por Trump contra a China em 2019, abrindo espaço para tarifas sobre US$ 120 bilhões em produtos chineses. Agora, em clima de campanha, o republicano quer fazer do Brasil um novo inimigo público. A acusação: “práticas desleais” em políticas digitais — sem apresentar provas ou apontar casos concretos.

No Itamaraty, o anúncio foi recebido como provocação orquestrada, parte de uma ofensiva mais ampla que incluiu críticas ao Supremo Tribunal Federal, cartas a outros líderes do Sul Global e apoio explícito a Jair Bolsonaro. “É uma tentativa de humilhar o Brasil em praça global”, avaliou um diplomata com trânsito no Planalto.

Lula em modo articulação

A reação brasileira deve ser firme, mas calculada. Lula já sinalizou que acionará parceiros do BRICS+ e da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac) para articular uma frente comum contra o que vê como “unilateralismo neocolonial”. Ao mesmo tempo, o presidente orientou sua equipe jurídica e diplomática a contestar tecnicamente a acusação junto à Organização Mundial do Comércio (OMC).

“Trump repete o script da guerra comercial com a China, mas desta vez seu alvo é um país do Sul Global que ousa pensar com autonomia”, disse uma fonte ligada ao Itamaraty.

Bolsonaristas celebram. O Brasil perde.

O episódio gerou euforia entre parlamentares bolsonaristas. Carlos Jordy, Nikolas Ferreira e outras vozes da extrema direita comemoraram nas redes sociais o que chamaram de “castigo ao comunismo brasileiro” — revelando, mais uma vez, o tipo de patriotismo que aplaude sanções estrangeiras em nome da ideologia.

A primeira-dama Janja, que tem sido alvo da ultradireita após chamar tais apoiadores de “vira-latas”, reagiu com ironia: “Quando a lealdade é ao estrangeiro, não sobra país.”


O Diário Carioca Esclarece

  • O que é a Seção 301 da Lei de Comércio dos EUA?
    Um dispositivo que permite ao presidente americano retaliar países acusados de práticas comerciais desleais, sem precisar de aval da OMC.
  • O Brasil pode ser sancionado?
    Sim, caso a investigação conclua haver prejuízos aos EUA. As punições podem incluir tarifas, restrições ou embargos.
  • Qual o impacto para o Brasil?
    O setor de tecnologia, startups e exportações digitais pode ser atingido. A medida também fere relações comerciais mais amplas.

FAQ (Perguntas Frequentes)

O Brasil realmente prejudicou empresas americanas?
Até agora, não há qualquer evidência técnica apresentada pelos EUA. As acusações são vagas e políticas.

Essa lei já foi usada antes?
Sim. Foi o principal instrumento da guerra comercial entre Trump e a China, e também utilizado por Joe Biden contra Pequim.

Como o Brasil deve responder?
Com diplomacia firme, articulação internacional e defesa técnica junto à OMC e outros fóruns multilaterais.

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