Brasília — 9 de julho de 2025 – Donald Trump comunicou formalmente a Lula a abertura de investigação contra o Brasil, acusando o país de prejudicar empresas digitais americanas.
Trump voltou ao ataque — agora, mirando a economia digital brasileira com o mesmo revanchismo que aplicou à China.
A carta enviada ao presidente Lula nesta terça-feira veio sem rodeios. Nela, Donald Trump acusa o Brasil de “atacar sistematicamente” empresas digitais dos Estados Unidos e determina ao seu Representante de Comércio, Jamieson Greer, a abertura imediata de uma investigação com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974 — um dispositivo jurídico notoriamente usado para justificar retaliações econômicas em guerras comerciais.
O gesto, classificado por diplomatas brasileiros como “hostil, intempestivo e eleitoral”, reacende o conflito geopolítico entre o Brasil de Lula e os EUA sob Trump. Mais do que uma questão de tarifas, trata-se de uma tentativa explícita de desestabilização e intimidação política.
Reincidência imperial
A Seção 301 foi usada por Trump contra a China em 2019, abrindo espaço para tarifas sobre US$ 120 bilhões em produtos chineses. Agora, em clima de campanha, o republicano quer fazer do Brasil um novo inimigo público. A acusação: “práticas desleais” em políticas digitais — sem apresentar provas ou apontar casos concretos.
No Itamaraty, o anúncio foi recebido como provocação orquestrada, parte de uma ofensiva mais ampla que incluiu críticas ao Supremo Tribunal Federal, cartas a outros líderes do Sul Global e apoio explícito a Jair Bolsonaro. “É uma tentativa de humilhar o Brasil em praça global”, avaliou um diplomata com trânsito no Planalto.
Lula em modo articulação
A reação brasileira deve ser firme, mas calculada. Lula já sinalizou que acionará parceiros do BRICS+ e da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac) para articular uma frente comum contra o que vê como “unilateralismo neocolonial”. Ao mesmo tempo, o presidente orientou sua equipe jurídica e diplomática a contestar tecnicamente a acusação junto à Organização Mundial do Comércio (OMC).
“Trump repete o script da guerra comercial com a China, mas desta vez seu alvo é um país do Sul Global que ousa pensar com autonomia”, disse uma fonte ligada ao Itamaraty.
Bolsonaristas celebram. O Brasil perde.
O episódio gerou euforia entre parlamentares bolsonaristas. Carlos Jordy, Nikolas Ferreira e outras vozes da extrema direita comemoraram nas redes sociais o que chamaram de “castigo ao comunismo brasileiro” — revelando, mais uma vez, o tipo de patriotismo que aplaude sanções estrangeiras em nome da ideologia.
A primeira-dama Janja, que tem sido alvo da ultradireita após chamar tais apoiadores de “vira-latas”, reagiu com ironia: “Quando a lealdade é ao estrangeiro, não sobra país.”
O Diário Carioca Esclarece
- O que é a Seção 301 da Lei de Comércio dos EUA?
Um dispositivo que permite ao presidente americano retaliar países acusados de práticas comerciais desleais, sem precisar de aval da OMC. - O Brasil pode ser sancionado?
Sim, caso a investigação conclua haver prejuízos aos EUA. As punições podem incluir tarifas, restrições ou embargos. - Qual o impacto para o Brasil?
O setor de tecnologia, startups e exportações digitais pode ser atingido. A medida também fere relações comerciais mais amplas.
FAQ (Perguntas Frequentes)
O Brasil realmente prejudicou empresas americanas?
Até agora, não há qualquer evidência técnica apresentada pelos EUA. As acusações são vagas e políticas.
Essa lei já foi usada antes?
Sim. Foi o principal instrumento da guerra comercial entre Trump e a China, e também utilizado por Joe Biden contra Pequim.
Como o Brasil deve responder?
Com diplomacia firme, articulação internacional e defesa técnica junto à OMC e outros fóruns multilaterais.

