Washington, 14 de julho de 2025 — Em nova escalada verbal, Donald Trump ameaçou aplicar tarifas de até 100% sobre produtos russos caso a guerra na Ucrânia não termine em 50 dias. A proposta foi apresentada durante encontro com a Otan na Casa Branca e pode atingir também países como China, Índia e Brasil.
A volta de Trump e a diplomacia por retaliação
Num gesto que mistura beligerância econômica e cálculo eleitoral, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, usou o Salão Oval como palanque para mais uma ofensiva contra a Rússia. Disse que, se não houver acordo de paz com a Ucrânia em até 50 dias, vai impor tarifas de até 100% sobre produtos russos. Não se trata apenas de retórica de campanha — mas de uma ameaça real, feita diante de aliados da Otan e transmitida ao vivo para o mundo. O recado foi dirigido a Vladimir Putin, mas também serve de advertência indireta a países do Sul Global que mantêm relações com Moscou.
Brasil e Índia na mira das tarifas
O Congresso americano já discute uma legislação bipartidária que autorizaria Trump a aplicar tarifas de até 500% contra nações que financiem — direta ou indiretamente — o esforço de guerra russo. Isso inclui países que compram armamentos, petróleo ou tecnologia de Moscou. Brasil, China e Índia aparecem como alvos potenciais. É uma reedição da política do “America First” com novo verniz: não basta não apoiar a Ucrânia — será punido quem não punir Putin.
Guerra econômica como instrumento de chantagem global
Trump não escondeu seu desdém por diplomacia tradicional. Disse estar “decepcionado” com Putin e que a invasão da Ucrânia não teria acontecido se ele estivesse no poder em 2022. Ameaçou reverter todos os acordos de cooperação econômica que favorecem países “neutros”. Na prática, sinaliza que a Casa Branca pode usar tarifas como instrumento de coerção internacional, pressionando aliados e rivais a se alinhar com a agenda geopolítica de Washington — ou pagar o preço.
Volta à Casa Branca e militarização da política externa
Ao lado de Mark Rutte, novo secretário-geral da Otan, Trump reafirmou que enviará bilhões em equipamentos militares à Ucrânia. Disse que os ucranianos estão “perdendo equipamentos” e precisam de reforço imediato. A narrativa resgata o discurso messiânico da “paz pela força”, em que o imperialismo é travestido de missão moral. Sua aproximação com o Pentágono e com o secretário de Estado Marco Rubio reforça a guinada belicista da política externa republicana — e sua disposição em elevar o conflito a uma escala comercial global.
Repercussão na Ucrânia e silêncio no Sul Global
O presidente Volodimir Zelensky manifestou apoio ao projeto de lei americano. Disse que sanções severas podem acelerar a paz. Mas não houve resposta oficial de países como Brasil ou Índia. A ausência de reação revela o desconforto diante de um cenário em que potências do Sul Global são coagidas a escolher entre a neutralidade e a submissão. A tentativa de Trump de dobrar economias emergentes por tarifa é uma afronta à multipolaridade e ao princípio de autodeterminação dos povos.
Perguntas e Respostas
Trump está realmente no poder?
Sim. Donald Trump assumiu novo mandato como presidente dos EUA após as eleições de 2024.
O que ele propôs contra a Rússia?
Impor tarifas de até 100% se a guerra na Ucrânia continuar por mais 50 dias.
O Brasil será afetado?
Pode ser. Um projeto no Congresso americano prevê sanções contra países que mantêm relações econômicas com a Rússia.
A medida tem apoio interno nos EUA?
Sim. Há uma articulação bipartidária no Senado para aprovar a autorização legal.
Zelensky apoia as sanções?
Sim. O presidente da Ucrânia defendeu a proposta como forma de pressionar Moscou.

