Contra o Genocídio

Brasil impõe sanções a Israel por genocídio em Gaza

Chanceler Mauro Vieira anunciou medidas na ONU e defendeu responsabilização internacional
O ministro de Relações Exteriores, Mauro Vieira, e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva
O ministro de Relações Exteriores, Mauro Vieira, e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva
Por JR Vital JR Vital — Analista Geopolítico
JR Vital
JR Vital Analista Geopolítico
● Fato Verificado

Jornalista do Diário Carioca.

Nova Iorque (EUA), 31 de julho de 2025 — O governo brasileiro anunciou nesta quarta-feira sanções contra Israel, classificando as ações do país na Faixa de Gaza como genocidas. A medida foi formalizada em discurso do ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, durante sessão especial na Organização das Nações Unidas (ONU), e inclui o bloqueio de exportações militares, suspensão de nomeações diplomáticas e apoio técnico à Autoridade Palestina.


Brasil bloqueia exportações militares e interrompe relações diplomáticas

Entre as medidas anunciadas por Mauro Vieira, estão:

  • Proibição de exportações de equipamentos militares para Israel
  • Restrição à entrada de produtos originários de territórios palestinos ocupados
  • Suspensão do processo de nomeação de um novo embaixador israelense no Brasil

O Itamaraty também oficializou a adesão brasileira à ação da África do Sul na Corte Internacional de Justiça (CIJ), com base na Convenção sobre o Genocídio de 1948.

A iniciativa jurídica busca responsabilizar Israel por violações graves do direito internacional humanitário, após ataques sistemáticos contra civis palestinos em Gaza.

📎 Leia também em: www.diariocarioca.com/politica


Propostas brasileiras na ONU: missão internacional e apoio técnico

Além da adesão à CIJ, o governo brasileiro propôs a criação de uma missão de monitoramento das Nações Unidas para acompanhar o cumprimento do direito internacional nos territórios ocupados.

A proposta prevê o envio de observadores civis e especialistas jurídicos, com foco na proteção da população palestina e no registro de possíveis crimes de guerra.

O Brasil também se comprometeu a fornecer apoio técnico e diplomático à Autoridade Palestina, reforçando o reconhecimento de sua legitimidade institucional.


Brasil sai da IHRA e recebe críticas da OEA

Em outro gesto simbólico, o Brasil anunciou sua retirada da Aliança Internacional para Memória do Holocausto (IHRA). Segundo o Itamaraty, o organismo teria sido instrumentalizado para fins geopolíticos por Israel e aliados.

A medida foi criticada pela Organização dos Estados Americanos (OEA), que alertou para riscos de enfraquecimento do combate ao antissemitismo.

Apesar disso, Vieira afirmou que o país continuará engajado no combate a todas as formas de racismo e intolerância, mas sem endossar distorções do direito internacional.


Reconhecimento do Estado da Palestina volta à pauta

Durante seu discurso, Mauro Vieira incentivou países que ainda não o fizeram a reconhecer oficialmente o Estado da Palestina. Segundo ele, a efetivação da soberania palestina é “condição indispensável para uma paz duradoura”.

Vieira defendeu também reparações humanitárias e garantias internacionais para a reconstrução de Gaza, e afirmou que a solução de dois Estados deve ser retomada como prioridade diplomática global.


Entenda as reações à posição do Brasil sobre Israel

Por que o Brasil decidiu impor sanções a Israel?
O governo brasileiro avalia que os ataques sistemáticos de Israel em Gaza violam o direito internacional e configuram genocídio. A decisão busca pressionar por responsabilização internacional e reforçar a defesa da população civil palestina.

O que muda com a saída do Brasil da IHRA?
A saída do Brasil da IHRA marca um distanciamento de fóruns considerados alinhados a interesses geopolíticos israelenses. Segundo o Itamaraty, a medida não significa recuo no combate ao antissemitismo, mas sim rejeição ao uso político do tema.

Houve apoio ou críticas internacionais à decisão brasileira?
A proposta brasileira foi elogiada por países como África do Sul, Irlanda e Turquia, mas criticada por aliados de Israel, como os Estados Unidos (EUA) e a Organização dos Estados Americanos (OEA).

Qual é o impacto da adesão do Brasil à ação da África do Sul na CIJ?
O gesto fortalece juridicamente a ação internacional contra Israel e pode aumentar o isolamento político do governo de Benjamin Netanyahu, além de abrir caminho para investigações mais amplas sobre crimes de guerra.

Essa mudança na política externa é definitiva?
A decisão reflete a linha diplomática atual do governo Luiz Inácio Lula da Silva, que prioriza a defesa do direito internacional. No entanto, mudanças futuras dependerão da evolução do conflito e de alianças geopolíticas.


Nova fase da política externa brasileira

A posição do Brasil representa um realinhamento diplomático em direção a uma postura mais assertiva diante de violações internacionais. Ao adotar sanções inéditas contra um aliado tradicional do Ocidente, o país reafirma seu compromisso com a legalidade internacional e com a autodeterminação dos povos.

A decisão também insere o Brasil no centro do debate global sobre crimes de guerra, e pode abrir caminho para uma reconfiguração de alianças estratégicas na região.

Recomendadas