Brasília, 4 de agosto de 2025 — O governo dos Estados Unidos, liderado por Donald Trump, fez nesta segunda-feira seu ataque mais direto ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), após a decretação da prisão domiciliar de Jair Bolsonaro. A ofensiva diplomática foi divulgada pelo Escritório de Assuntos do Hemisfério Ocidental, em postagem na plataforma X (antigo Twitter), que classificou a decisão judicial como uma “ameaça à democracia”.
Declaração oficial dos EUA amplia tensão com o STF
O comunicado norte-americano condenou diretamente Moraes e ameaçou “responsabilizar todos aqueles que auxiliarem e incentivarem a conduta sancionada”. O texto afirma que o ministro do STF é “um violador de direitos humanos” e critica a decisão de restringir ainda mais a comunicação pública de Bolsonaro:
“O juiz Moraes, agora um violador de direitos humanos sancionado pelos EUA, continua a usar as instituições brasileiras para silenciar a oposição e ameaçar a democracia. Impor ainda mais restrições à capacidade de Jair Bolsonaro de se defender em público não é um serviço público. Deixem Bolsonaro falar!”
Quebra de cautelar e envolvimento dos filhos estão no centro da decisão
A ordem de prisão domiciliar contra Bolsonaro foi emitida na manhã de segunda-feira por Moraes, que apontou o descumprimento de medida cautelar imposta desde fevereiro, proibindo o ex-presidente de utilizar redes sociais de terceiros.
Durante os atos bolsonaristas realizados no domingo (3), o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) publicou um vídeo com a participação do pai, violando a determinação judicial. A gravação foi usada como prova do descumprimento da cautelar e fundamentou a decisão de Moraes.
Inquérito contra Eduardo Bolsonaro amplia crise diplomática
O caso também está ligado ao inquérito que investiga Eduardo Bolsonaro (PL-SP), acusado de ter buscado apoio junto ao governo Trump para pressionar autoridades brasileiras e influenciar o andamento da ação penal sobre a trama golpista. O deputado viajou aos Estados Unidos em julho e se licenciou do mandato, após séries de reuniões com membros do Partido Republicano e articuladores de ultradireita no país.
Segundo apurações da Polícia Federal, Eduardo teria negociado a publicação de manifestos internacionais contra Moraes, configurando tentativa de coagir o Judiciário brasileiro.
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O que dizem os envolvidos
Por que Bolsonaro foi colocado em prisão domiciliar?
Porque descumpriu a proibição de usar redes sociais direta ou indiretamente. Um vídeo foi divulgado nas contas de Flávio Bolsonaro com manifestação do pai.
O que motivou a reação dos EUA?
O governo Trump considera a decisão de Moraes uma violação de liberdade de expressão e de direitos políticos de um aliado.
Eduardo Bolsonaro será responsabilizado?
Ele é investigado por tentar interferir na justiça brasileira com apoio de autoridades estrangeiras. Moraes avalia se isso configura obstrução.
Moraes respondeu às críticas dos EUA?
Até a última atualização, o ministro não havia comentado publicamente a nota da Casa Branca.
Há risco de crise diplomática entre Brasil e EUA?
Especialistas veem escalada retórica, mas o Itamaraty ainda não se manifestou oficialmente.
Impactos e desdobramentos
A declaração agressiva da Casa Branca amplia o clima de tensão entre os governos de Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump, escancarando a polarização política internacional. No Brasil, a decisão de Moraes reforça o cerco judicial a Bolsonaro e seus aliados, especialmente após as mobilizações do fim de semana.
O Itamaraty pode ser pressionado a responder, em meio à repercussão global do caso. Além disso, o STF deve discutir medidas adicionais para impedir novos descumprimentos judiciais por aliados do ex-presidente.

