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EUA cassam vistos de brasileiros ligados ao Mais Médicos

Governo Trump amplia sanções e mira ex-autoridades acusadas de atuar com Cuba no envio de médicos ao Brasil
Foto: Wikimedia Commons
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Por JR Vital JR Vital — Analista Geopolítico
JR Vital
JR Vital Analista Geopolítico
● Fato Verificado

Jornalista do Diário Carioca.

Brasília — 13 de agosto de 2025 — O governo de Donald Trump cassou os vistos de Mozart Julio Tabosa Sales, secretário do Ministério da Saúde, e Alberto Kleiman, ex-funcionário do governo brasileiro e atual diretor da Organização do Tratado de Cooperação Amazônica (OTCA) para a COP 30.

A medida foi anunciada pelo secretário de Estado Marco Rubio, que acusou os dois de cooperar com o regime cubano no Mais Médicos, classificado por Washington como um “programa exploratório de exportação de mão de obra”.

Sanção com alvo direto em Brasília

Em publicação no X, Rubio afirmou que os Estados Unidos ampliaram a política de restrição de vistos para atingir “funcionários governamentais cubanos, cúmplices de terceiros países e indivíduos que lucram com o trabalho forçado”. Segundo ele, o objetivo é “responsabilizar o regime cubano pela opressão do seu povo e por aqueles que se beneficiam economicamente dessa exploração”.

Documentos do Departamento de Estado alegam que Sales e Kleiman teriam usado a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) como intermediária para contratar médicos cubanos sem atender aos requisitos constitucionais brasileiros, além de contornar sanções impostas por Washington a Havana. O governo norte-americano afirma que valores devidos aos profissionais foram conscientemente repassados ao regime cubano.

Escalada nas tensões Brasil–EUA

A decisão de Trump ocorre num momento de deterioração das relações bilaterais. Nos últimos meses, Washington elevou para 50% as tarifas sobre produtos brasileiros e criticou decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) voltadas ao combate à desinformação. A medida contra os dois brasileiros se soma a sanções impostas a autoridades de Cuba, Granada e países africanos, com recado explícito: “Nações cúmplices dessa prática devem pensar duas vezes antes de fechar acordos semelhantes”, disse Rubio.

O histórico do Mais Médicos

Criado em 2013 pelo governo Dilma Rousseff, o Mais Médicos buscou ampliar o atendimento em regiões de difícil acesso, com parte da força de trabalho vinda de Cuba por meio de acordo mediado pela Opas. Em solo americano, críticos do programa apontam que os médicos atuavam sob condições restritivas, com limitações de mobilidade e retenção de parte de seus salários pelo governo cubano.

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