Ingerência

EUA preparam sanções em tempo real durante julgamento de Bolsonaro

Casa Branca avalia restrições financeiras e comerciais enquanto ex-presidente é julgado no STF
Donald Trump - Daniel Torok
Donald Trump - Daniel Torok
Por JR Vital JR Vital — Analista Geopolítico
JR Vital
JR Vital Analista Geopolítico
● Fato Verificado

Jornalista do Diário Carioca.

O governo dos Estados Unidos, sob a presidência de Donald Trump, deve acompanhar em tempo real o julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro no Supremo Tribunal Federal (STF), previsto para começar na próxima terça-feira (2).

Fontes da Casa Branca indicam que sanções financeiras, restrições comerciais e outras medidas de retaliação podem ser acionadas conforme o andamento das sessões.


Washington considera diversas opções, incluindo cassação de vistos de autoridades brasileiras, sanções adicionais contra ministros do STF e revisão de produtos brasileiros beneficiados pelo tarifaço de 50% aplicado desde agosto. A movimentação reforça o alinhamento entre Trump e Bolsonaro, que já foi publicamente chamado de “homem honesto” pelo presidente norte-americano e apontado como alvo de uma “caça às bruxas”.

O deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) e o comentarista político Paulo Figueiredo viajarão a Washington durante o julgamento. A dupla pretende fornecer informações sobre o processo à Casa Branca e defende sanções ao Brasil como forma de pressionar por anistia ao ex-presidente e aliados. Essa atuação já foi relacionada ao tarifaço e a recentes restrições diplomáticas.

Aliados do trumpismo, como Jason Miller, ex-estrategista de Trump, também reforçam a narrativa de perseguição. Miller recordou detenção por ordem do ministro Alexandre de Moraes em 2021 e criticou o papel do magistrado no julgamento. Apesar de não ocupar cargo oficial, permanece uma voz influente dentro do movimento.

Para Washington, fortalecer a família Bolsonaro é estratégico, com foco nas eleições presidenciais brasileiras de 2026. Eduardo Bolsonaro é tratado como herdeiro político do bolsonarismo, à frente de nomes alternativos da direita, como o governador Tarcísio de Freitas. Empresários próximos à Casa Branca também veem nele uma aposta para manter alinhamento com Trump.

O governo Lula observa a escalada da crise bilateral com cautela. Diplomatas brasileiros avaliam que não há margem para negociação sobre o julgamento, respeitando a independência do Judiciário, mas trabalham para reduzir impactos econômicos e diplomáticos de eventuais sanções. A preocupação principal é a imprevisibilidade do presidente americano, capaz de tomar decisões de efeito imediato.

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