Contra o Genocídio

Mais de 100 mil protestam em Berlim por Gaza

Manifestação denunciou ofensiva israelense e expôs contradições da política alemã no conflito.
Mais de 100 mil protestam em Berlim por Gaza
Foto: Reprodução
Por JR Vital JR Vital — Analista Geopolítico
JR Vital
JR Vital Analista Geopolítico
● Fato Verificado

Jornalista do Diário Carioca.

Multidão ocupa as ruas de Berlim por Gaza

Mais de 100 mil pessoas participaram da manifestação “Todos os olhos em Gaza”, na capital da Alemanha, segundo estimativa da polícia de Berlim. Convocado pelo partido A Esquerda e apoiado por cerca de 50 organizações e ativistas, o ato criticou a ofensiva de Israel na Faixa de Gaza e denunciou a cumplicidade do governo alemão.

A marcha saiu da Alexanderplatz, no antigo setor oriental da cidade, e seguiu até o monumento da Grande Estrela. Quase dois mil policiais foram mobilizados. Apesar de episódios isolados de tensão com contramanifestações, o protesto foi majoritariamente pacífico.


Liberdade de expressão em debate

O ato ocorreu em meio a críticas à lei aprovada em 2023 que ampliou a definição de antissemitismo e restringiu protestos contra Israel. Juristas e entidades de direitos humanos consideram a medida uma ameaça à liberdade de expressão.

Um dos organizadores destacou: “Estamos aqui para exigir o fim da cumplicidade do governo na morte de mais de 60 mil palestinos, incluindo 18 mil crianças.” Ele também condenou os crimes do Hamas, ressaltando que “um crime jamais justificará outro”.


Pressão internacional e dívida histórica da Alemanha

Enquanto países como França e Espanha avançaram no reconhecimento do Estado da Palestina, a Alemanha manteve posição contrária durante a Assembleia Geral da ONU. A justificativa ecoa a declaração de Angela Merkel, ex-chanceler, de que “a existência de Israel é razão de Estado para a Alemanha”.

No entanto, o governo de Friedrich Merz suspendeu exportações de armas a Israel e classificou a situação em Gaza como “inaceitável”. O chanceler Johann Wadephul reafirmou que a solução de dois Estados é a única saída viável.


Discursos combativos e contradições expostas

No ato, a líder do partido A Esquerda, Ines Schwerdtner, acusou o governo de cumplicidade e classificou a ofensiva em Gaza como genocídio. “Falam de razões de Estado enquanto hospitais viram escombros. Permanecem em silêncio sobre o genocídio”, declarou.

Embora slogans considerados inconstitucionais tenham sido reprimidos pela polícia, cartazes críticos a Israel dominaram a marcha. Um deles comparava Benjamin Netanyahu a Hitler e Gaza a Auschwitz, evidenciando como o peso do passado alemão ainda molda a disputa política no presente.

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