Brasil lidera denúncia na ONU contra Israel por ataque à flotilha humanitária
O Brasil apresentou nesta sexta-feira (3) uma denúncia formal contra Israel no Conselho de Direitos Humanos da ONU, em resposta à interceptação da Flotilha Global Sumud, missão que transportava alimentos e medicamentos à Faixa de Gaza.
A operação militar foi conduzida em águas internacionais pela Marinha israelense, sob ordem do premiê Benjamin Netanyahu.
Na manifestação oficial, o embaixador brasileiro Tovar da Silva Nunes declarou que o Brasil “expressa profunda preocupação com a interceptação, pelas forças israelenses, de embarcações pertencentes à Flotilha Global Sumud – um comboio pacífico que transportava a mais necessária ajuda humanitária para Gaza”.
Interceptação de embarcações da “Flotilha Global Sumud” por Israel e detenção arbitrária de cidadãos brasileiros: https://t.co/yw9eliP9pA pic.twitter.com/gmNUWztcvp
— Itamaraty Brasil 🇧🇷 (@ItamaratyGovBr) October 2, 2025
Apoio internacional à denúncia
A iniciativa brasileira recebeu apoio imediato de quase 70 países, incluindo África do Sul, Chile, China, Eslovênia, Espanha, Colômbia e cerca de 50 nações de maioria muçulmana. O Itamaraty articulou a ação diplomática com base em princípios do direito humanitário internacional e na defesa da liberdade de navegação em alto-mar.
“Lamentamos esta ação militar, que viola direitos fundamentais e coloca em risco a integridade física de ativistas humanitários. Israel tem total responsabilidade pela segurança e bem-estar dos detidos”, afirmou Tovar Nunes em Genebra.
Segundo os organizadores, a última embarcação da flotilha, chamada Marinette, foi interceptada às 10h29 (horário local), a 42,5 milhas náuticas de Gaza. Ativistas relataram que todas as 42 embarcações foram abordadas, mesmo carregando apenas suprimentos médicos, alimentos e voluntários.
Brasileiros a bordo e violações denunciadas
Entre os passageiros estavam 14 brasileiros, incluindo:
- Luizianne Lins (PT-CE) – deputada federal
- Mariana Conti (PSOL-SP) – vereadora de Campinas
- Thiago Ávila – ativista social
- Lisiane Proença, Magno Costa e Gabriele Tolotti – presidenta estadual do PSOL no Rio Grande do Sul
Os brasileiros integravam o comboio de mais de 400 ativistas de 47 países, que buscava furar o bloqueio israelense a Gaza, considerado ilegal pela ONU e por diversas entidades de direitos humanos.
Posição brasileira na ONU
O Brasil reiterou no plenário que Israel deve levantar imediata e incondicionalmente as restrições impostas à entrada de ajuda humanitária em Gaza, conforme prevê a Quarta Convenção de Genebra.
“Reiteramos nosso apelo pelo levantamento imediato e incondicional de todas as restrições impostas por Israel à entrada e distribuição de assistência humanitária em Gaza, em conformidade com suas obrigações como potência ocupante”, disse o embaixador.
O Itamaraty destacou ainda que a reconstrução de Gaza dependerá da cooperação internacional, ressaltando que solidariedade e apoio técnico serão indispensáveis quando houver cessar-fogo duradouro.

