Ligações Perigosas

Rússia propõe túnel ferroviário “Putin-Trump” ligando país aos EUA pelo Estreito de Bering

Plano bilionário prevê túnel de 112 km para integrar Ásia e América, simbolizando unidade e cooperação no Ártico
Putin e Trump
Putin e Trump - Foto: Benjamin Applebaum
Por JR Vital JR Vital — Analista Geopolítico
JR Vital
JR Vital Analista Geopolítico
● Fato Verificado

Jornalista do Diário Carioca.

A Rússia apresentou um ambicioso projeto para construir um túnel ferroviário ligando seu território aos Estados Unidos sob o Estreito de Bering.

A proposta foi divulgada por Kirill Dmitriev, chefe do Fundo Russo de Investimentos Diretos (RDIF) e representante do presidente Vladimir Putin, que sugeriu o nome “Túnel Putin-Trump” para a obra, ressaltando seu simbolismo de “unidade entre as nações” e a possibilidade de explorar conjuntamente os recursos naturais do Ártico.

Orçamento e extensão do projeto

O investimento estimado é de US$ 8 bilhões, com financiamento de Moscou e “parceiros internacionais”. O túnel terá cerca de 112 quilômetros de extensão, com previsão de conclusão em até oito anos. Dmitriev afirmou que o projeto foi retomado após conversas entre Putin e o presidente estadunidense Donald Trump, que se comprometeram a discutir medidas para encerrar a guerra na Ucrânia num futuro encontro em Budapeste.

História e geografia do Estreito de Bering

A ideia de conectar a Rússia e os Estados Unidos nesta região não é nova: remonta a projetos como a ferrovia Sibéria-Alasca de 1904 e iniciativas russas de 2007. O RDIF avaliou várias propostas, incluindo rotas envolvendo EUA, Canadá, Rússia e China, para escolher a opção mais viável.

O Estreito de Bering separa o Alasca da região russa de Chukotka, com 82 km de largura no ponto mais estreito. Entre os dois países estão as ilhas Diomede, divididas entre a Rússia e os EUA, com apenas 4 km de distância entre elas.

Parcerias e desafios técnicos

Dmitriev destacou a possível participação de empresas americanas de energia no projeto e sugeriu que a construção fosse liderada pela The Boring Company, empresa de infraestrutura do bilionário Elon Musk.

Em uma publicação na rede X, Dmitriev escreveu:

“Imagine conectar EUA e Rússia, as Américas e a Afro-Eurásia com o túnel Putin-Trump, uma ligação de 70 milhas que simboliza a unidade. O custo tradicional seria superior a US$ 65 bilhões, mas a tecnologia da @boringcompany poderia reduzi-lo para menos de US$ 8 bilhões. Vamos construir o futuro juntos.”

Até o momento, Musk e Trump não responderam publicamente à proposta. Especialistas alertam para o custo elevado da obra e para o investimento necessário na infraestrutura dos dois lados do estreito, especialmente na região da Chukotka, que carece de rodovias e ferrovias para viabilizar o transporte até o túnel.

Contexto histórico e diplomático

Dmitriev lembrou que um projeto semelhante foi cogitado durante a Guerra Fria, com a ideia da “Ponte da Paz Mundial Kennedy-Khrushchev”, que uniria as superpotências pelos mesmos 82 km do Estreito de Bering.

O chefe do RDIF ressaltou:

“O RDIF já investiu e construiu a primeira ponte ferroviária entre Rússia e China. Agora é hora de ir além e conectar continentes pela primeira vez na história da humanidade. É hora de unir Rússia e Estados Unidos.”

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