Donald Trump divulgou neste sábado (3) a primeira imagem de Nicolás Maduro sob custódia militar dos Estados Unidos. Vendado, usando fones de ouvido e segurando uma garrafa de água, o presidente venezuelano aparece em uma fotografia que, segundo Trump, teria sido feita a bordo do navio de guerra USS Iwo Jima. A postagem foi acompanhada de declarações em que o presidente americano celebrou a operação como um feito “sem precedentes”.
A imagem não foi divulgada por um porta-voz militar nem por um comunicado oficial do Pentágono, mas diretamente pelas redes sociais do próprio Trump — o que reforça o caráter simbólico da publicação. Não se trata apenas de informar: trata-se de exibir.
A foto que Trump quer mostrar
Em entrevistas à Fox News, Trump descreveu a ação militar como se comentasse um programa de televisão. Falou em “velocidade”, “violência” e “complexidade” com entusiasmo, relatando que acompanhou tudo em tempo real a partir de uma sala montada em seu clube privado, o Mar-a-Lago, cercado por generais.
O presidente americano apresentou a captura de um chefe de Estado estrangeiro como troféu político e mensagem geopolítica: os Estados Unidos podem invadir, capturar e exibir — e ainda transformar isso em conteúdo para redes sociais.
As fotos que Trump não quer mostrar
O gesto contrasta de forma gritante com outro capítulo conhecido da trajetória de Trump: sua insistente resistência em liberar ou comentar registros fotográficos e documentais de sua relação com Jeffrey Epstein, financista condenado por crimes sexuais e figura central de um dos maiores escândalos envolvendo abuso e tráfico sexual de menores nos Estados Unidos.
Enquanto a imagem de Maduro vendado é publicada com orgulho e espalhada como propaganda de força, fotos de Trump em eventos sociais ao lado de Epstein — amplamente conhecidas, mas nunca plenamente esclarecidas — permanecem envoltas em silêncio, minimizações e negativas evasivas. Nesse caso, não há exibição, não há espetáculo, não há “transparência”.
A lógica é simples: quando a imagem serve para humilhar o inimigo, ela é divulgada; quando pode constranger o poder, ela é ocultada.
Força como narrativa, silêncio como estratégia
Trump afirmou que Maduro e sua esposa estão sob custódia militar e a caminho de Nova York, onde o futuro político do líder venezuelano seria decidido por sua administração. Não mencionou mandado internacional, aval da ONU ou qualquer instância multilateral. A legalidade foi substituída pela narrativa da força.
Ao mesmo tempo, o mesmo presidente que transforma um sequestro internacional em postagem pública evita qualquer exposição visual que remeta a suas próprias contradições, relações incômodas ou responsabilidades políticas do passado.
O espetáculo seletivo
A divulgação da foto de Maduro não é apenas um ato contra a Venezuela; é uma demonstração de método. Trump escolhe quais imagens o mundo deve ver e quais devem permanecer fora do enquadramento. O poder, aqui, não está apenas nas armas ou nos helicópteros — está no controle da narrativa visual.
Entre a foto exibida do inimigo vendado e as fotos escondidas de alianças constrangedoras, Trump deixa clara sua política externa e interna: a humilhação é pública; a responsabilidade, privada — quando não invisível.

