Anticolonialismo

Venezuela ocupa as ruas contra ofensiva dos EUA e sequestro de Maduro

Marchas em Caracas e no interior rejeitam intervenção estrangeira e denunciam bombardeios em pleno início de ano.
Foto: Reprodução X
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Por JR Vital JR Vital — Analista Geopolítico
JR Vital
JR Vital Analista Geopolítico
● Fato Verificado

Jornalista do Diário Carioca.

A resposta não veio de gabinetes, mas das ruas. Neste sábado, venezuelanos transformaram praças, avenidas e cercanias do Palácio Miraflores em trincheiras simbólicas contra a ofensiva militar dos Estados Unidos e o sequestro do presidente Nicolás Maduro. Em um país acostumado a sanções, pressões externas e retórica de isolamento, a mobilização popular surge como mensagem direta: o futuro nacional não será decidido fora de suas fronteiras.

Desde as primeiras horas da manhã, Caracas amanheceu em estado de vigília política. No coração do poder executivo, manifestantes empunhavam fotos de Maduro e de Hugo Chávez, resgatando não apenas um governo, mas uma narrativa de resistência histórica.

A cena remete às descrições de Eduardo Galeano, para quem a América Latina é um território onde a soberania sempre precisou ser defendida com o corpo antes de ser reconhecida no papel. As ruas, mais uma vez, funcionam como arquivo vivo da história.

“Quando o império fala em ordem, os povos respondem com memória.”


Do berço do chavismo às avenidas de Caracas

Barinas: a simbologia do ponto de origem

No estado natal de Hugo Chávez, manifestantes se reuniram na capital Barinas para pedir a permanência de Maduro e o fim imediato dos ataques. Os gritos eram diretos, sem diplomacia: exigiam a retirada dos Estados Unidos e denunciavam o bombardeio como agressão ilegítima.

Juan Navid Herrera, presente no ato, sintetizou o sentimento coletivo ao afirmar que a Venezuela precisa do retorno de um presidente “democraticamente eleito e comprometido com o povo”, rejeitando qualquer tutela estrangeira.

Miraflores cercado por apoio popular

Em Caracas, a mobilização ao redor do Palácio Miraflores ganhou contornos de defesa simbólica do Estado. Faixas pediam a intervenção da ONU e condenação explícita da comunidade internacional. Para Mariele Agustín, o silêncio externo equivale à cumplicidade. “Os EUA não são a polícia do mundo”, declarou, sob aplausos.

Impacto social e moral do bombardeio

Jaisuri Cortez destacou um aspecto menos discutido, mas central: o efeito psicológico da ofensiva. Segundo ela, o ataque em pleno período de festas de fim de ano não apenas ameaça a estabilidade do país, mas busca atingir a moral coletiva de uma população que vivia relativa tranquilidade.

Ao relembrar sanções, pandemia e episódios de violência política anteriores, Cortez afirmou que Maduro manteve a paz em momentos críticos — argumento repetido por outros manifestantes ao longo do dia.


As marchas deixam claro que, independentemente das disputas diplomáticas ou dos julgamentos externos sobre o governo venezuelano, há um elemento incontornável no cenário atual: uma parcela significativa da população enxerga a ofensiva dos EUA não como libertação, mas como agressão.

Na história latino-americana, intervenções raramente encontram consenso interno. Na Venezuela de hoje, as ruas já deram sua resposta.

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