EUA sequestram petroleiro “Marinera” ligado à Venezuela e elevam tensão com Rússia

A apreensão marca um aumento nas tensões entre Washington e Moscou fora do teatro ucraniano tradicional
EUA sequestram petroleiro
EUA sequestram petroleiro
Por JR Vital JR Vital — Analista Geopolítico
JR Vital
JR Vital Analista Geopolítico
● Fato Verificado

Jornalista do Diário Carioca.

Os Estados Unidos anunciaram nesta quarta-feira a apreensão do petroleiro Marinera — embarcação de bandeira russa e histórico vínculo com o transporte de petróleo venezuelano — após uma perseguição marítima no Atlântico Norte, em ação que envolveu a Guarda Costeira americana e outros componentes do aparato de segurança dos EUA.

A captura ocorreu em cumprimento a um mandado emitido por um tribunal federal dos EUA por violação às sanções norte-americanas contra o setor petrolífero venezuelano. O navio havia sido alvo de rastreamento por semanas pelo cortador USCGC Munro e outras unidades, após tentar escapar de um bloqueio americano próximo à Venezuela.

O Marinera havia mudado de nome (antes era Bella 1) e rebatizado sua bandeira para a Rússia enquanto navegava longe da costa americana, numa manobra interpretada por Washington como tentativa de escapar da ação de fiscalização e sanção.

A escalada de um episódio geopolítico

A operação é parte de uma campanha mais ampla dos EUA para reforçar sanções e bloquear o transporte de petróleo venezuelano sancionado em meio a medidas econômicas cada vez mais contundentes contra Caracas. Entre os motivos apontados por Washington estão alegações de que embarcações como o Marinera fazem parte de uma “frota sombra” que contorna sanções e pode transportar petróleo para aliados como Rússia, China ou Irã.

A ação americana também incluiu o uso de aeronaves de vigilância e foi acompanhada por aliados — o Reino Unido confirmou apoio à operação que, segundo o Ministério da Defesa britânico, respeitou a legislação internacional.

Reação russa e disputas legais

A resposta oficial de Moscou foi veemente. O Ministério dos Transportes da Rússia declarou que o Marinera estava navegando sob sua bandeira em conformidade com o direito marítimo internacional e que a ação americana constituía uma violação da Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar. Parlamentares russos chegaram a qualificar o episódio como “pirataria”, enquanto autoridades exigiram o fim da perseguição e tratamento adequado da tripulação.

O episódio se soma a um quadro geopolítico já tenso que inclui medidas dos EUA para pressionar a economia venezuelana e frear esquemas que Washington classifica como evasão de sanções. Uma segunda embarcação ligada à Venezuela também foi alvo de apreensão em operação paralela no mar do Caribe, segundo relatos oficiais.

Implicações

A apreensão marca um aumento nas tensões entre Washington e Moscou fora do teatro ucraniano tradicional, inserindo o Atlântico Norte e a rota de petroleiros no centro de um novo ponto de atrito estratégico. A ação legal contra navios sancionados reforça a disposição dos EUA de aplicar poder naval em defesa de sua política de sanções, mas levanta questionamentos sobre a segurança de rotas marítimas e respeito ao direito internacional.

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