Em uma rara demonstração de resistência bipartidária, parlamentares aprovam resolução para impedir novas ofensivas militares sem autorização do Congresso, após o sequestro cinematográfico de Maduro.
- O Senado dos Estados Unidos aprovou nesta quinta-feira (8), por 52 votos a 47, uma resolução fundamentada na Lei de Poderes de Guerra de 1973, visando limitar o uso unilateral da força militar por Donald Trump.
- A medida surge como resposta direta à “Operação Resolução Absoluta”, que no último dia 3 de janeiro bombardeou Caracas e resultou na captura de Nicolás Maduro e sua esposa, Cilia Flores, levados como “prisioneiros de guerra” para Nova York.
- Cinco senadores republicanos, incluindo Rand Paul e Susan Collins, romperam com a Casa Branca para apoiar o texto, sinalizando um racha na direita americana diante das ameaças de Trump de “administrar” a Venezuela e anexar a Groenlândia.
O Capitólio parece ter redescoberto a Constituição após anos de letargia diante do arbítrio. Ao invocar a Lei de Poderes de Guerra — um fantasma da era do Vietnã que ressurge sempre que o Executivo confunde o mundo com seu quintal particular —, o Senado tenta colocar um freio de mão na doutrina do “caubói solitário”. Donald Trump, que em sua rede Truth Social rosna contra os “traidores” de seu próprio partido, parece acreditar que a política externa pode ser gerida como um reality show de baixo nível, onde soberanias nacionais são meros ativos a serem confiscados. O sequestro de um chefe de Estado estrangeiro, por mais questionável que seja sua legitimidade, é um ato que nos remete aos métodos da pirataria do século XVIII, agora executados com tecnologia de quinta geração e uma arrogância que faria os imperadores romanos corarem.
A democracia americana sobrevive em sua capacidade de conter seus próprios monstros. Quando o comandante-em-chefe decide que o Direito Internacional é apenas um detalhe burocrático, o Congresso é a última trincheira contra o caos global.
Qual o impacto real da resolução aprovada pelo Senado sobre as pretensões de Trump?
Embora a aprovação seja uma vitória moral e política significativa, o caminho jurídico é íngreme. A resolução precisa passar pela Câmara dos Representantes, onde o “Maguismo” ainda mantém as rédeas sob a liderança de Mike Johnson e Steve Scalise. Mesmo que avance, o veto presidencial é uma certeza absoluta. Para derrubá-lo, seriam necessários dois terços de ambas as casas — um cenário difícil na atual polarização. Contudo, o recado é cristalino: há um limite para o financiamento e para o apoio político a uma ocupação militar prolongada que visa, declaradamente, o controle das reservas de petróleo venezuelanas e a intimidação de aliados europeus na questão da Groenlândia.
Como a resistência bipartidária no Senado afeta a imagem de Trump perante seus aliados?
A rebelião de nomes como Rand Paul e Josh Hawley mostra que nem toda a direita americana está disposta a assinar um cheque em branco para o autoritarismo de Trump. Eles percebem que o isolacionismo e a agressividade desenfreada estão destruindo a credibilidade dos EUA e fortalecendo o discurso de nações como a Alemanha, que já tratam Washington como um parceiro “inescrupuloso”. Para o Brasil e o resto do Sul Global, o racha no Senado é um sopro de lucidez: prova que as instituições americanas, embora sob ataque, ainda possuem anticorpos contra a tentação de transformar o planeta em um “covil de ladrões”, como bem definiu o presidente alemão Steinmeier. O Diário Carioca segue vigilante: a justiça internacional não pode ser atropelada pela conveniência de um império em crise de identidade.
Expediente: 08/01/2026 – 21:05 | Edição: JR Vital (MTB 0037673/RJ). Siga o Diário Carioca: Instagram | X (Twitter) | Facebook.

