O interesse de Donald Trump pela Groenlândia, frequentemente descartado pela grande mídia como “extravagância”, é lido por Vladimir Putin como a conclusão de um projeto de estado secular.
Sob a ótica do Diário Carioca, o que está em jogo não é apenas um “negócio imobiliário” bizarro, mas a cristalização do imperialismo moderno: a captura de recursos minerais estratégicos e o controle das rotas polares.
Ao justificar a agressividade de Trump, Putin não apenas valida a geopolítica do poder bruto, mas também expõe a fragilidade da soberania europeia diante de um aliado que se comporta como um conquistador de eras passadas.
OS FATOS:
- Vladimir Putin resgatou o histórico de 1860 para provar que a intenção de anexação dos EUA é sistêmica e não apenas um capricho de Trump.
- Donald Trump ameaçou tomar a ilha “de um jeito ou de outro”, ridicularizando a capacidade de defesa local com metáforas depreciativas.
- A Dinamarca alertou que uma agressão americana à Groenlândia resultaria na dissolução imediata da OTAN.
O SÉCULO XIX REVISITADO NA GUERRA FRIA DO GELO
O resgate histórico feito pelo Kremlin serve como uma lição de realpolitik. A tentativa americana de comprar a Groenlândia em 1946 e os acordos de 1910 citados por Putin mostram que os EUA enxergam o Atlântico Norte como seu quintal geopolítico. Para o Diário Carioca, essa postura é a face mais honesta e brutal do imperialismo: a negação da autodeterminação dos povos em nome de “interesses de segurança”. Trump, ao tratar a Groenlândia como uma mercadoria e zombar de suas defesas, ignora que o território não é apenas gelo, mas o lar de uma população com identidade própria, hoje refém de um tabuleiro onde grandes potências jogam com a soberania alheia.

A “estratégia sistemática” mencionada por Putin aponta para o controle das jazidas de terras raras e urânio, fundamentais para a hegemonia tecnológica do futuro. A agressividade de Trump, que utiliza a Rússia e a China como bicho-papão para justificar sua própria sanha anexionista, é uma tática clássica de projeção de poder. Enquanto isso, a Europa assiste, atônita, ao seu maior parceiro militar flertar com a invasão de um território pertencente a um membro fundador da OTAN, colocando em xeque a validade de alianças forjadas no pós-guerra que hoje parecem derreter mais rápido que as calotas polares.
Histórico de Tentativas de Expansão dos EUA na Groenlândia
| Período | Ação / Proposta | Justificativa Alegada | Resultado |
| Década de 1860 | Governo William Seward | Expansão territorial e controle naval | Rechaçada pelo Congresso |
| 1910 | Acordo Trilateral (EUA/GER/DEN) | Troca de territórios estratégicos | Não concretizado |
| 1946 | Oferta de US$ 100 milhões | Segurança pós-Segunda Guerra | Rejeitada pela Dinamarca |
| 2026 | Ameaça de Anexação Direta | Extração de recursos e defesa do Ártico | Crise diplomática na OTAN |
A ameaça de Trump contra a Groenlândia pode realmente levar ao fim da OTAN?
Sim, pois a essência da OTAN é o Artigo 5º, que estabelece a defesa mútua em caso de ataque a um membro. Se os Estados Unidos, o principal pilar da aliança, agirem como o agressor contra um território sob soberania dinamarquesa, a base moral e jurídica da organização colapsa instantaneamente. A declaração da primeira-ministra Mette Frederiksen é um ultimato: a Europa não aceitará um novo “Destino Manifesto” que transforme o continente em colônia ou protetorado das ambições territoriais de Washington.

