Marine Le Pen retornou nesta terça-feira (13) ao Tribunal de Apelação de Paris para contestar a sentença que pode aniquilar suas ambições presidenciais para 2027. Condenada em março de 2025 a cinco anos de inelegibilidade por desvio de fundos do Parlamento Europeu, a líder do Reagrupamento Nacional (RN) tenta agora reverter o que classifica como um “atentado democrático”. O processo foca no uso de verbas da União Europeia para pagar funcionários que, na prática, atuavam exclusivamente em interesses partidários domésticos na França — uma manobra de pilhagem dos cofres de Bruxelas que a justiça francesa não parece disposta a ignorar.
O julgamento do recurso, que deve se estender até fevereiro com veredito previsto para antes do verão europeu, ocorre em um momento de asfixia política para Le Pen. Se a condenação for mantida, ela estará formalmente impedida de disputar o sucessor de Emmanuel Macron. O cenário, contudo, não representa o fim da ultradireita, mas uma mutação estética: Jordan Bardella, o protegido de 30 anos e atual presidente do partido, já aparece nas sondagens com 36% de intenções de voto no primeiro turno, consolidando-se como o favorito absoluto caso a “madrinha” seja limada do tabuleiro.
Enquanto Le Pen adota uma estratégia de defesa que alterna entre a negação técnica e o discurso de perseguição judicial, o mercado político francês já precifica sua ausência. Bardella, mestre na comunicação digital e com um discurso mais palatável às elites conservadoras, tem conseguido converter o revés jurídico de sua mentora em combustível eleitoral. Para o eleitorado francês de 2026, a “bala de prata” judicial contra Marine pode acabar sendo o tapete vermelho para uma nova geração que, sob o verniz da moderação, carrega o mesmo DNA isolacionista e nacionalista.
O Plano B da Extrema Direita
A ascensão de Jordan Bardella não é um acidente, mas um projeto de sobrevivência das oligarquias de direita na França. Enquanto Le Pen carrega o peso do sobrenome e as cicatrizes de derrotas passadas, Bardella apresenta-se como o “genro ideal” que domina o TikTok e os debates econômicos. A estratégia do RN agora é clara: se Marine for absolvida, ela volta com a aura de mártir; se for condenada, entrega o bastão a um herdeiro que, segundo as pesquisas, possui um teto eleitoral ainda mais alto que o dela.
Cenários para o Eliseu 2027
| Candidato Potencial | Intenção de Voto (1º Turno) | Status Jurídico / Político |
| Marine Le Pen | 35% – 37% | Em fase de apelação; risco de banimento. |
| Jordan Bardella | 36% | Herdeiro direto; favorito se Le Pen cair. |
| Centro-Direita (Macronismo) | 18% – 22% | Fragmentado após fim do mandato de Macron. |
| Esquerda Unida (NFP) | 25% – 28% | Principal barreira contra a ultradireita. |
A queda de um sobrenome, a ascensão de uma marca
A história da Quinta República Francesa pode estar prestes a virar uma página decisiva. O clã Le Pen, que durante décadas personificou o radicalismo, vê seu futuro nas mãos de três juízes de apelação. Se a “bala judicial” de fato atingir Marine, ela não trará a morte política do RN, mas a sua profissionalização definitiva. Em 2027, a França poderá descobrir que, ao tentar barrar o passado, acabou pavimentando o futuro de um populismo ainda mais refinado e perigoso.

