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Confissão: Bolsonaro admite ter discutido golpe com general Freire Gomes

Ex-presidente afirma que debateu possibilidades jurídicas para reverter eleição de 2022

JR Vital - Diário Carioca
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JR Vital
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Editor e analista geopolítico
JR Vital é jornalista e editor do Diário Carioca. Analista Político, Formado no Rio de Janeiro, pela faculdade de jornalismo Pinheiro Guimarães, atua desde 2007, tendo...
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© Antonio Augusto/STF

Brasília – O ex-presidente Jair Bolsonaro admitiu, nesta quarta-feira (26), que discutiu a possibilidade de um golpe de Estado com o general Freire Gomes, então comandante do Exército, em dezembro de 2022. A declaração ocorreu durante um pronunciamento à imprensa, após a Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) aceitar a denúncia contra ele e sete aliados por tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito.

Almirante Garnier foi chamado por Bolsonaro para discutir decreto golpista

“Discuti, como disse, com o então comandante do Exército. Discuti hipóteses de dispositivos constitucionais. Não é crime”, afirmou Bolsonaro. Na ocasião, ele havia acabado de ser derrotado por Lula nas eleições presidenciais.

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General confirma apresentação de documento

O ex-comandante do Exército, Freire Gomes, confirmou à Polícia Federal (PF) que Bolsonaro apresentou a chamada “minuta golpista” durante um encontro em 7 de dezembro de 2022. Ele afirmou que não concordou com a proposta e rejeitou qualquer adesão do Exército ao plano.

O depoimento de Freire Gomes se tornou um dos principais elementos da denúncia apresentada pela Procuradoria-Geral da República (PGR). O general relatou que o documento sugeria medidas jurídicas para reverter o resultado das eleições, mas reforçou que “sempre deixou claro que o Exército não participaria da implementação”.

Brigadeiro da FAB confirma minuta

O ex-comandante da Força Aérea Brasileira (FAB), brigadeiro Baptista Júnior, também mencionou a apresentação da “minuta golpista”. Em depoimento à PF, ele afirmou que o documento previa a declaração de Estado de Defesa no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), uma medida que poderia abrir caminho para a intervenção militar.

Segundo os depoimentos colhidos pela PF, apenas o então comandante da Marinha, Almir Garnier, teria manifestado apoio ao plano sugerido por Bolsonaro.

STF aceita denúncia contra Bolsonaro

A Primeira Turma do STF, formada pelos ministros Alexandre de Moraes, Cármen Lúcia, Cristiano Zanin, Flávio Dino e Luiz Fux, aceitou a denúncia da PGR por unanimidade. Com isso, Bolsonaro, Garnier e outros seis envolvidos se tornaram réus por crimes como:

  • Abolição violenta do Estado Democrático de Direito;
  • Golpe de Estado;
  • Organização criminosa;
  • Dano qualificado ao patrimônio público;
  • Deterioração de patrimônio tombado.

O caso agora segue para a fase de instrução processual, na qual testemunhas serão ouvidas e provas analisadas. Se condenado, Bolsonaro pode enfrentar penas que incluem prisão.

Entenda o caso Bolsonaro e a tentativa de golpe

  • Discussoes sobre golpe: Bolsonaro admitiu que conversou com Freire Gomes sobre medidas para reverter o resultado eleitoral.
  • Minuta golpista: Documento apresentado ao Exército sugeria mecanismos para impedir a posse de Lula.
  • Rejeição militar: Comandantes do Exército e da FAB recusaram apoio ao plano.
  • Apoio na Marinha: Apenas Almir Garnier teria apoiado a proposta de Bolsonaro.
  • Denúncia aceita pelo STF: Ex-presidente e aliados se tornaram réus por tentativa de golpe e outros crimes.
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JR Vital - Diário Carioca
Editor e analista geopolítico
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JR Vital é jornalista e editor do Diário Carioca. Analista Político, Formado no Rio de Janeiro, pela faculdade de jornalismo Pinheiro Guimarães, atua desde 2007, tendo passado por grandes redações, como Visto Livre Magazine, Folha do Centro, Universo Musical, Alô Rio e outros.