Carlos Bolsonaro, o “02” da família que levou o Brasil à beira de um golpe, resolveu mais uma vez empunhar o teclado para defender o irmão — e tropeçou feio. Numa postagem no X (ex-Twitter), o vereador carioca admitiu, com todas as letras, aquilo que a Procuradoria-Geral da República (PGR) vem apontando há meses: que Eduardo Bolsonaro está sim nos Estados Unidos em missão política — e não por acaso.
Tentando se fazer de esperto, Carlos acusou críticos de serem “idiotas úteis”, mas terminou confessando que o irmão fugiu do Brasil para atuar diretamente contra o Supremo Tribunal Federal (STF), exatamente como sustenta o pedido de investigação da PGR.
“Durante meses, críticos mal-intencionados tentaram deslegitimar a permanência de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos, acusando-o de fuga ou descompromisso. No entanto, os acontecimentos recentes demonstram que sua decisão parece que foi acertada e fundamentada”, escreveu Carlos Bolsonaro.
Fundamentada em quê? Em tentar deslegitimar o Judiciário brasileiro no exterior? Em articular com a ultradireita internacional contra a democracia? Pois é exatamente isso que a PGR quer apurar.
STF investiga Eduardo por atuação política nos EUA
A fala de Carlos Bolsonaro acaba dando munição à Procuradoria-Geral da República, que suspeita de ações coordenadas para sabotar as instituições brasileiras a partir do exterior.
De acordo com o pedido da PGR, Eduardo Bolsonaro teria viajado aos EUA com a missão de:
- Articular sanções internacionais contra ministros do STF;
- Interferir no andamento de processos criminais contra Jair Bolsonaro e outros investigados;
- Fortalecer alianças com organizações da extrema-direita global.
Em outras palavras, um lobby antidemocrático que extrapola os limites da diplomacia informal e se aproxima perigosamente do crime de conspiração golpista.
Carlos entrega o jogo, STF toma nota
A publicação de Carlos Bolsonaro, embora disfarçada de bravata política, será usada como mais um indício de que a família tem plena consciência do que está fazendo. E mais: que age de forma coordenada.
A fala não passou despercebida pelos investigadores, que já mapearam reuniões de Eduardo Bolsonaro com figuras como Steve Bannon, Jason Miller e Tucker Carlson, todos notórios propagandistas da extrema-direita trumpista.
Na avaliação de fontes próximas ao Supremo, a declaração de Carlos pode ser interpretada como confissão pública de que Eduardo está em solo estrangeiro para fazer política contra o Brasil — e não para representar um cargo oficial ou missão diplomática.
Eduardo Bolsonaro se esconde enquanto Carlos vira porta-voz involuntário
Desde que se licenciou da Câmara dos Deputados, Eduardo permanece em silêncio. Nada de entrevistas, coletivas ou postagens diretas. O silêncio, no entanto, está longe de ser desinformado: enquanto o “03” se esconde, o “02” fala — e entrega tudo.
Carlos, que nunca soube a hora de parar de postar, pode ter cometido o que especialistas chamam de erro de defesa espontânea: ao tentar blindar o irmão, confirmou o elo entre a viagem internacional e os ataques golpistas ao STF.
PGR, STF e o cerco à família Bolsonaro
A ofensiva da PGR contra Eduardo Bolsonaro faz parte de um inquérito mais amplo que investiga as conexões entre o clã Bolsonaro e as tentativas de golpe de Estado em 2022.
Além de Eduardo, os alvos incluem Jair Bolsonaro, militares da reserva e da ativa, ex-ministros como Anderson Torres e empresários bolsonaristas envolvidos com fake news, financiamento de atos antidemocráticos e sabotagem institucional.
A delação premiada do tenente-coronel Mauro Cid já entregou parte do esquema. O restante, agora, começa a emergir pelas mãos — ou pelos dedos nervosos — do próprio Carlos Bolsonaro.
O Carioca esclarece
Quem é Carlos Bolsonaro e por que ele está no foco?
Carlos é vereador no Rio de Janeiro e considerado o “cérebro digital” do bolsonarismo. Seu ativismo nas redes influenciou a radicalização da base do ex-presidente.
Por que Eduardo Bolsonaro está sendo investigado pelo STF?
A PGR acusa Eduardo de articular ações políticas nos EUA para pressionar o Judiciário brasileiro e interferir em investigações criminais contra o pai.
Quais as consequências dessa publicação de Carlos?
Ela reforça a tese da PGR e poderá ser anexada como prova de que a atuação de Eduardo no exterior é intencional e coordenada.
Como isso afeta a democracia brasileira?
A permanência de Eduardo nos EUA e o silêncio cúmplice da direita alimentam uma rede transnacional antidemocrática. A tentativa de blindagem revela desprezo pela soberania nacional e pelo Estado de Direito.

