Rio de Janeiro, 10 de junho de 2025 — Em depoimento no STF, o ex-presidente Jair Bolsonaro admitiu que nunca houve provas de fraude eleitoral em 2022, desmentindo a base narrativa do movimento golpista que tentou impedir a posse de Lula. A confissão pode agravar sua situação nos inquéritos em que já é réu.
Bolsonaro admite: “Não tinha prova de nada”
Durante a oitiva conduzida por Alexandre de Moraes, Bolsonaro reconheceu que suas acusações contra o TSE não tinham lastro factual:
“Não tinha prova de nada no tocante a isso aí, foi um desabafo meu”.
A frase desmonta uma das bases do discurso de ruptura institucional usado para tentar inviabilizar a eleição de Lula da Silva (PT). A declaração foi feita ao comentar a “reunião do golpe” de 5 de julho de 2022.
Tentativa de distração: Dino, urnas e vídeos
Tentando desviar o foco, Bolsonaro citou críticas antigas ao sistema eleitoral feitas por outros políticos — inclusive o ministro Flávio Dino — mas sem qualquer correlação com o plano de golpe. A defesa do ex-presidente ainda tentou exibir vídeos como prova, o que foi negado por Moraes.
O réu e o roteiro golpista
Bolsonaro é investigado por organização criminosa armada, golpe de Estado, abolição violenta do Estado Democrático de Direito e danos ao patrimônio da União.
A PGR sustenta que ele planejou ações para assassinar Lula, Alckmin e Moraes, e que mobilizou militares, aliados e seguidores. Minutas de decretos golpistas, reuniões clandestinas e discursos inflamados compõem o inquérito.
Depoimento de outros réus reforça esquema
Nos dias anteriores, nomes como Mauro Cid, Anderson Torres e Augusto Heleno confirmaram aspectos do plano. Cid revelou que o grupo planejava vigiar Moraes para facilitar ações violentas.
Hoje, Bolsonaro e Moraes ficaram frente a frente no STF — cena emblemática que marca a virada da narrativa.

