Michelle Bolsonaro se irrita com pergunta sobre Bolsonaro

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Michelle Bolsonaro - Foto: Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
Michelle Bolsonaro - Foto: Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
Por Vanessa Neves Vanessa Neves — Analista Política
Vanessa Neves
Vanessa Neves Analista Política
● Fato Verificado

Jornalista do Diário Carioca.

10 de junho de 2025, Brasília – Enquanto Jair Bolsonaro prestava depoimento no Supremo Tribunal Federal (STF) por seu envolvimento na tentativa de golpe de Estado, sua esposa, Michelle Bolsonaro, optou por um palco diferente: a tribuna da Câmara dos Deputados, onde participou de um evento antiaborto. Ao ser questionada sobre o ex-presidente, reagiu com irritação, atacando jornalistas e tentando desviar o foco para a pauta religiosa.

“Tem que ser profissional. Estamos num evento pró-vida, que é uma pauta incrível. Por isso vocês perdem espaço. Poderiam enaltecer a vida. Você está falando de julgamento? Vai para a porta do STF, meu amor”, disparou Michelle, visivelmente incomodada com o tema.

Militância religiosa como escudo

O ato, promovido por parlamentares bolsonaristas como Bia Kicis (PL-DF) e Chris Tonietto (PL-RJ), foi organizado como resposta à retomada do debate sobre a descriminalização do aborto até a 12ª semana de gestação no STF. Michelle assumiu a linha de frente como presidente do PL Mulher, reforçando o uso político do discurso religioso ultraconservador.

Bonecos representando fetos foram exibidos como forma de comover e dramatizar a cena. Michelle repetiu falas recorrentes entre grupos cristãos fundamentalistas, ignorando dados sobre saúde pública e a complexidade jurídica da discussão.

Silêncio sobre o golpe, gritos contra o aborto

Enquanto o ex-presidente tentava minimizar sua responsabilidade diante de Alexandre de Moraes no STF, Michelle tentava blindá-lo com palavras de ordem no Congresso. A sincronia dos eventos não passou despercebida: enquanto um enfrenta a Justiça, a outra mobiliza fiéis.

O objetivo político é claro: manter a base bolsonarista ativada por meio da retórica moralista, mesmo quando o núcleo do bolsonarismo enfrenta investigações por atacar as instituições democráticas. A estratégia converte crises judiciais em combustível eleitoral, ainda que com atores inelegíveis.

Anticiência, antipolítica, antifato

A pauta “pró-vida”, como apresentada no evento, ignora completamente o contexto social e sanitário do aborto no Brasil. Dados do Ministério da Saúde mostram que milhares de mulheres morrem ou sofrem complicações por abortos clandestinos todos os anos, sobretudo as mais pobres.

Mas esse debate racional é incompatível com a performance de Michelle, que prefere a histeria simbólica à realidade estatística. Seu ataque a jornalistas segue a cartilha bolsonarista de deslegitimação da imprensa como forma de fugir de perguntas incômodas e criar cortinas de fumaça.

O Carioca Esclarece

Por que Michelle Bolsonaro estava na Câmara enquanto Jair depunha?
Michelle participou de um evento contra o aborto na Câmara dos Deputados no mesmo dia em que Jair Bolsonaro prestava depoimento ao STF. A coincidência foi usada para reforçar bandeiras ideológicas e desviar o foco da crise judicial.

Michelle pode ser investigada no caso do golpe?
Embora ainda não seja formalmente investigada, Michelle foi citada em mensagens e reuniões que antecederam os atos golpistas de 8 de janeiro. O avanço das investigações pode colocá-la no centro do inquérito.

Qual é a pauta que o STF analisa sobre o aborto?
O STF discute a descriminalização do aborto até a 12ª semana de gestação, tema que divide a sociedade brasileira. A ação foi proposta pelo PSOL e está com julgamento suspenso desde 2023, à espera de retomada pelo plenário.