Abin Paralela: PF indicia Carlos Bolsonaro e Ramagem por espionagem ilegal

Aliados de Bolsonaro são acusados de comandar "Abin paralela" para vigiar autoridades e atacar a democracia.

JR Vital - Diário Carioca
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JR Vital
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Editor e analista geopolítico
JR Vital é jornalista e editor do Diário Carioca. Analista Político, Formado no Rio de Janeiro, pela faculdade de jornalismo Pinheiro Guimarães, atua desde 2007, tendo...
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O deputado federal Alexandre Ramagem (PL) em campanha ao lado do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e do vereador Carlos Bolsonaro (PL). Foto: Reprodução

Brasília, 17 de junho de 2025 — A Polícia Federal (PF) indiciou o vereador Carlos Bolsonaro (PL-RJ) e o deputado federal Alexandre Ramagem (PL-RJ) no escândalo da chamada “Abin paralela”, uma operação clandestina de espionagem ilegal e produção de fake news. No total, mais de 30 pessoas foram formalmente acusadas.

O inquérito revela que, durante o governo Bolsonaro, a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) foi aparelhada para monitorar adversários, produzir dossiês sigilosos e atacar as instituições democráticas.

Como funcionava a “Abin paralela”

As investigações, que começaram ainda em 2019, expuseram o uso do software “First Mile”, uma ferramenta de rastreamento ilegal de celulares via dados de antenas. O sistema permitia acompanhar, em tempo real, a localização de alvos, entre eles ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), o presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira, o ex-deputado Rodrigo Maia, o ex-governador João Doria e diversos jornalistas.

De acordo com a PF, a estrutura foi montada sob o comando de Ramagem, então diretor da Abin, seguindo ordens diretas de Bolsonaro.

O aparato de vigilância não se limitava a espionagem. A chamada “Abin paralela” também atuava na disseminação de desinformação, especialmente contra o sistema eleitoral brasileiro.

Espionagem, fake news e golpe de Estado

As descobertas da PF indicam que a espionagem clandestina fazia parte de um plano mais amplo: minar a confiança nas eleições e sustentar uma tentativa de golpe de Estado.

Documentos obtidos pela investigação, incluindo e-mails de Ramagem, mostram que ele repassava orientações a Bolsonaro para atacar publicamente as urnas eletrônicas e insuflar uma narrativa contra o que chamavam de “sistema”.

Essa estratégia, segundo os investigadores, foi decisiva para alimentar o discurso golpista que culminou nas tentativas de ruptura democrática — tema que já é alvo de outra ação no Supremo Tribunal Federal (STF), na qual Bolsonaro e Ramagem são réus.

Conexões diretas com o plano golpista

O relatório final da Polícia Federal dedica um capítulo específico à conexão entre a espionagem ilegal e os movimentos golpistas. O núcleo liderado por Ramagem teria sido usado para garantir informações estratégicas e proteger o grupo bolsonarista, especialmente no período pré e pós-eleições.

A Procuradoria-Geral da República (PGR) já havia alertado, em documentos anteriores, sobre a existência dessa “estrutura paralela” dentro da Abin, montada para sabotar o processo democrático.

O uso político da máquina pública, especialmente dos órgãos de inteligência, é considerado pelos investigadores uma das maiores ameaças recentes ao Estado democrático de direito no Brasil.

Como destacou reportagem do Diário Carioca, a prática de espionagem ilegal durante o governo Bolsonaro não foi um episódio isolado, mas parte de uma estratégia estruturada e contínua de ataque às instituições.

Impacto na democracia brasileira

O indiciamento de Carlos Bolsonaro e Ramagem aprofunda a crise política que envolve o bolsonarismo. A revelação de que agentes do Estado foram mobilizados para práticas ilegais reacende o debate sobre os limites da atuação dos serviços de inteligência e sobre o uso da máquina pública para fins autoritários.

O caso também reforça os vínculos diretos entre a campanha de desinformação contra as eleições e os atos golpistas investigados pelo STF e pela PF.

Para especialistas, o episódio da “Abin paralela” representa um divisor de águas no combate ao autoritarismo no Brasil, colocando luz sobre práticas clandestinas de governos que atacam a democracia sob o pretexto de combater supostos inimigos internos.

O Diário Carioca seguirá acompanhando os desdobramentos desse processo, que promete ter efeitos profundos sobre a política brasileira.


O Carioca Esclarece:
A “Abin paralela” refere-se a uma estrutura clandestina de espionagem ilegal criada durante o governo Bolsonaro, desvinculada das funções institucionais da Agência Brasileira de Inteligência.


FAQ

O que é a “Abin paralela”?
É uma estrutura clandestina de espionagem ilegal, criada no governo Bolsonaro, que monitorava autoridades, jornalistas e políticos sem autorização judicial.

Quais crimes são investigados nesse caso?
Espionagem ilegal, violação de sigilo, abuso de autoridade, uso indevido da máquina pública e associação para atos golpistas.

Como a PF descobriu a espionagem?
Por meio da análise do uso do software “First Mile”, e-mails, relatórios e depoimentos que comprovaram o monitoramento ilegal realizado pela Abin sob comando de Ramagem, com orientação de Bolsonaro.

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JR Vital - Diário Carioca
Editor e analista geopolítico
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JR Vital é jornalista e editor do Diário Carioca. Analista Político, Formado no Rio de Janeiro, pela faculdade de jornalismo Pinheiro Guimarães, atua desde 2007, tendo passado por grandes redações, como Visto Livre Magazine, Folha do Centro, Universo Musical, Alô Rio e outros.