Brasília, 17 de junho de 2025 — O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), rejeitou, nesta terça-feira (17), o pedido da defesa de Jair Bolsonaro para anular a delação premiada de Mauro Cid, ex-ajudante de ordens e um dos principais delatores do esquema golpista.
Na decisão, Moraes foi categórico ao afirmar que o pedido é “absolutamente inadequado” no atual estágio do processo penal. A tentativa da defesa do ex-presidente se baseava em publicações feitas por Cid nas redes sociais, nas quais ele teria divulgado trechos do acordo e criticado a condução das investigações.
Além de Bolsonaro, o general da reserva Walter Braga Netto, também réu no inquérito, apresentou solicitação semelhante para suspender o processo. Moraes igualmente indeferiu o pedido, reforçando que não há espaço jurídico, neste momento, para qualquer questionamento sobre a validade da colaboração firmada com a Procuradoria-Geral da República (PGR).
A decisão de Moraes também reforça a realização das duas acareações determinadas para a próxima terça-feira, dia 24, dentro do processo que apura a tentativa de golpe de 8 de janeiro de 2023. As diligências, solicitadas pelas próprias defesas, buscam confrontar versões contraditórias dadas à Polícia Federal e à Justiça.
A primeira audiência ocorrerá às 10h, na sala do STF, e colocará frente a frente Braga Netto e Mauro Cid. Preso no Rio de Janeiro, Braga Netto será transportado para Brasília, com uso de tornozeleira eletrônica, e retornará à prisão logo após o procedimento, sem qualquer contato externo além de seu advogado.
Logo depois, às 11h, acontece a segunda acareação, entre o ex-ministro da Justiça Anderson Torres e o general Marco Antônio Freire Gomes, ex-comandante do Exército. Ambos são considerados peças-chave no “núcleo central” que arquitetou a tentativa de subverter a democracia brasileira.
O avanço das acareações é visto como mais um golpe na linha de defesa dos investigados e poderá esclarecer, de forma definitiva, o nível de envolvimento da cúpula militar e do próprio Bolsonaro no planejamento e na execução da trama golpista.
O Diário Carioca segue acompanhando cada etapa desse processo, que revela as profundezas de uma conspiração contra a democracia, envolvendo setores civis, militares e o ex-presidente derrotado.
O Carioca Esclarece:
A tentativa de anular uma colaboração premiada durante a fase de instrução penal é juridicamente rara e, como destacou Moraes, considerada inadequada, já que acordos de delação são questionados, em regra, apenas na fase de sentença ou instâncias recursais.
FAQ
Por que Moraes rejeitou o pedido de Bolsonaro?
Porque é juridicamente inadequado contestar a delação de Mauro Cid no atual estágio do processo.
O que alegou a defesa de Bolsonaro?
Baseou-se em postagens de Mauro Cid nas redes sociais, nas quais ele teria divulgado trechos do acordo e feito críticas aos investigadores.
O que acontece agora no processo?
As investigações seguem com a realização das acareações e o avanço da coleta de provas sobre o golpe de 8 de janeiro.

