BRASÍLIA, 17 de junho de 2025 — A Polícia Federal obteve um áudio que revela uma reunião entre o ex-presidente Jair Bolsonaro e o deputado federal Alexandre Ramagem, ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), na qual discutem estratégias para tentar blindar o senador Flávio Bolsonaro das investigações sobre o esquema das rachadinhas.
O encontro, segundo o relatório da PF, ocorreu no Palácio do Planalto, em 25 de agosto de 2020, e também contou com a participação de advogadas de Flávio, que apresentaram caminhos jurídicos para tentar conter os avanços das investigações.
O conteúdo da gravação aponta que o então diretor da Abin sugeriu a abertura de um procedimento administrativo contra auditores da Receita Federal, responsáveis por um Relatório de Inteligência Fiscal (RIF) que embasou o inquérito contra o senador. O objetivo seria questionar a legalidade da atuação dos servidores e enfraquecer o processo.
A investigação apurou ainda que a chamada “Abin paralela” teria sido utilizada para monitorar os auditores e buscar informações comprometedoras — os chamados “podres” — capazes de descredibilizar tecnicamente o trabalho da Receita Federal, fundamental no avanço das investigações sobre o suposto desvio de salários no antigo gabinete de Flávio Bolsonaro, na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj).
O relatório da Polícia Federal detalha que essa estrutura paralela operava com objetivo claro de proteger membros da família presidencial. As ações incluíam levantamento de dados pessoais e vínculos dos servidores públicos que atuaram na elaboração dos relatórios fiscais.
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), destacou em sua decisão que os elementos colhidos confirmam a utilização indevida da Abin para fins privados, interferindo diretamente em investigações criminais que envolvem agentes públicos e parlamentares.
“Igualmente, em relação às investigações relacionadas ao senador Flávio Bolsonaro, a autoridade policial trouxe informações a respeito do uso da estrutura da Abin para monitoramento dos auditores da Receita Federal, com o objetivo, inclusive, de ‘encontrar podres’ sobre os mencionados auditores”, diz trecho do documento assinado por Moraes.
A própria Abin, em nota oficial, declarou estar à disposição das autoridades e reforçou que os fatos apurados ocorreram em gestões anteriores.
Além de Bolsonaro e Ramagem, o vereador Carlos Bolsonaro também foi formalmente indiciado pela Polícia Federal no âmbito da mesma investigação.
Entenda o Caso
A investigação sobre a Abin paralela revelou que a estrutura de inteligência do governo foi desviada de sua função institucional para atuar como mecanismo de proteção de interesses pessoais da família Bolsonaro.
O caso das rachadinhas, que atinge diretamente o senador Flávio Bolsonaro, envolve a suspeita de apropriação ilegal de parte dos salários de assessores quando ele era deputado estadual na Alerj.
As tentativas de desestabilizar a Receita Federal fazem parte da estratégia para tentar anular provas cruciais do processo, incluindo relatórios de movimentações financeiras incompatíveis com a renda declarada.
O Carioca Esclarece
A utilização de órgãos públicos, como a Abin, para fins pessoais ou políticos é crime e fere princípios constitucionais como impessoalidade, legalidade e moralidade na administração pública.
O caso
O que diz o áudio encontrado pela PF?
O áudio revela uma reunião onde Bolsonaro e Ramagem discutem ações para proteger Flávio Bolsonaro, incluindo atacar os auditores da Receita Federal que produziram um relatório fundamental no caso das rachadinhas.
Quando ocorreu essa reunião?
Em 25 de agosto de 2020, no Palácio do Planalto.
Quem mais está envolvido na investigação?
Além de Bolsonaro e Ramagem, o vereador Carlos Bolsonaro também foi indiciado.
O que é a Abin paralela?
Trata-se do uso ilegal da estrutura da Agência Brasileira de Inteligência para proteger interesses da família Bolsonaro, monitorando servidores públicos e tentando interferir em investigações.
Qual é a situação atual?
O processo segue em andamento sob relatoria do ministro Alexandre de Moraes, no STF, e novos desdobramentos são esperados nos próximos dias.
Acompanhe todas as atualizações no Diário Carioca – Política. Compartilhe, comente e ajude a divulgar informações que realmente importam.

