Jantar de Hugo Motta com parlamentares custou R$ 27 mil para Câmara

Deputado gastou quase R$ 1 mil por pessoa em encontro que nem consta na agenda oficial do ministro presente
Hugo Motta - Foto: Lula Marques/Agência Brasil
Hugo Motta - Foto: Lula Marques/Agência Brasil
Por JR Vital JR Vital — Analista Geopolítico
JR Vital
JR Vital Analista Geopolítico
● Fato Verificado

Jornalista do Diário Carioca.

Brasília, 19 de junho de 2025 — Um jantar bancado com dinheiro público, no valor de impressionantes R$ 27.120, se tornou a despesa mais alta da atual legislatura na categoria alimentação da Câmara dos Deputados. O responsável: o deputado Hugo Motta (Republicanos-PB), presidente da Comissão de Orçamento.

O encontro, realizado em outubro de 2023, reuniu cerca de 30 parlamentares e o ministro dos Portos e Aeroportos, Sílvio Costa Filho, sob a justificativa de discutir a implementação de um aeroporto na cidade de Patos (PB), reduto eleitoral do parlamentar.

O custo médio do banquete foi de R$ 904 por pessoa, valor que destoa completamente dos padrões razoáveis para reuniões de trabalho no serviço público.

Evento não consta na agenda oficial

Apesar da justificativa formal apresentada na nota fiscal, o suposto encontro não aparece na agenda pública do ministro Sílvio Costa Filho na data informada. Documentos oficiais apontam que, no mesmo horário, o ministro estava em outras quatro reuniões com diferentes parlamentares — nenhuma delas com a bancada do Republicanos.

A discrepância lança dúvidas sobre a real motivação do jantar e se de fato ele teve relação com qualquer pauta institucional.

Buffet de luxo pago pelo povo

O jantar foi fornecido pelo renomado buffet da chef Renata La Porta, conhecido por atender eventos do alto escalão em Brasília. No entanto, o padrão de luxo dos serviços prestados contrasta diretamente com a narrativa de um simples “encontro de trabalho”.

O gasto elevado reacende o debate sobre o uso abusivo de verbas públicas para despesas pessoais disfarçadas de agendas institucionais.

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Especialistas criticam falta de transparência

A ausência do encontro na agenda oficial do ministério é vista como um indicativo grave de possível desvio da finalidade pública. Especialistas em gestão e transparência afirmam que despesas dessa natureza exigem rigor absoluto na comprovação de interesse público e na prestação de contas.

R$ 27 mil em um jantar institucional é, no mínimo, um escárnio com o dinheiro do contribuinte. É inadmissível que a população banque banquetes desse porte enquanto enfrenta cortes, precarização dos serviços e crise econômica”, apontou um analista ouvido pela reportagem.

A velha política dos privilégios

O episódio escancara a naturalização dos privilégios no Congresso. Sob o pretexto de tratar de obras públicas — que, não por acaso, beneficiariam diretamente a base eleitoral do deputado —, parlamentares utilizam dinheiro público para custear jantares suntuosos, sem qualquer transparência real sobre os resultados do encontro.

Nem a Câmara dos Deputados, nem o gabinete do deputado Hugo Motta, muito menos o Ministério dos Portos e Aeroportos, apresentaram até agora documentos, fotos ou registros oficiais que comprovem a realização do evento.

População paga a conta — literalmente

Enquanto milhões de brasileiros lutam para pagar a própria conta de luz, água e alimentação, o Congresso segue normalizando despesas extravagantes. Casos como este expõem a desconexão brutal entre a classe política e a realidade da população.

O episódio se soma a uma série de escândalos recentes envolvendo uso indevido de recursos públicos no Legislativo, fortalecendo o debate sobre a urgente necessidade de reforma ética e de controle de gastos no setor público.

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