Brasília – A farra com dinheiro público via emendas Pix segue a todo vapor no Senado Federal. O campeão de gastos em 2025 foi o bolsonarista Marcos Rogério (PL-RO), que destinou R$ 34,8 milhões por meio da chamada “transferência especial” — recurso que dispensa projeto, prestação de contas e permite uso político livre em ano eleitoral.
Ele supera nomes como Davi Alcolumbre (União-AP), presidente do Senado, e outros caciques de partidos do centrão, como Jayme Campos (União-MT) e Otto Alencar (PSD-BA). O dinheiro enviado pode ser usado livremente pelas prefeituras, sem indicar autor, área de atuação ou resultado.
Ranking dos senadores que mais usaram emendas Pix
| Posição | Senador(a) | Partido | Estado | Total repassado |
|---|---|---|---|---|
| 1 | Marcos Rogério | PL | RO | R$ 34.800.000 |
| 2 | Jussara Lima | PSD | PI | R$ 34.800.000 |
| 3 | Jayme Campos | União Brasil | MT | R$ 34.800.000 |
| 4 | Davi Alcolumbre | União Brasil | AP | R$ 34.798.000 |
| 5 | Eliziane Gama | PSD | MA | R$ 34.300.000 |
| 6 | Otto Alencar | PSD | BA | R$ 34.100.000 |
| 7 | Carlos Fávaro | PSD | MT | R$ 33.300.000 |
| 8 | Nelsinho Trad | PSD | MS | R$ 31.000.000 |
| 9 | Rodrigo Pacheco | PSD | MG | R$ 30.000.000 |
| 10 | Omar Aziz | PSD | AM | R$ 30.000.000 |
Baixa transparência: 99% sem destino claro
Segundo a Transparência Brasil, apenas 0,9% das emendas Pix de 2024 tinham informações completas sobre a aplicação do dinheiro. Em outras palavras, mais de R$ 8 bilhões foram distribuídos com zero controle público.
A maioria das emendas tem como destino cidades com baixo Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM), facilitando o uso eleitoral das verbas públicas, justamente onde a fiscalização é mais frágil.
Ranking por partido: quem mais usa Pix no Senado
| Partido | Valor total em emendas Pix | % do total de emendas via Pix |
|---|---|---|
| PL | R$ 1,4 bilhão | 32% |
| PSD | Não divulgado | 38% |
| União Brasil | Não divulgado | 37% |
| MDB | Não divulgado | 40% |
| Avante | Não divulgado | 47% |
O Diário Explica: o que é a emenda Pix
A emenda Pix foi criada em 2019, durante o governo Bolsonaro, e permite o repasse direto de recursos do Orçamento da União a prefeituras sem necessidade de projeto, prestação de contas ou autoria pública. A prática virou o novo “orçamento secreto”, com potencial para corromper a política local e irrigar campanhas eleitorais com recursos públicos.
Crítica institucional
Enquanto o governo Lula tenta retomar o controle do orçamento para financiar saúde, educação e programas sociais, o Congresso segue blindando o “Pix orçamentário” do centrão e da extrema direita — um instrumento de chantagem política, que beneficia aliados em detrimento do interesse público.
Mesmo com alertas do Tribunal de Contas da União, nada mudou. O orçamento continua sendo manipulado longe dos olhos do povo — com aval do presidente do Senado e conivência da grande imprensa, que finge ignorar o maior escândalo institucional do pós-Bolsonaro.

