Brasília, 5 de julho de 2025 – Em mais um capítulo da crise entre Executivo e Congresso, o governo federal liberou R$ 2,5 bilhões em emendas parlamentares nesta semana. A maior parte do valor foi parar nas mãos do Centrão e, especialmente, do PL, partido do ex-presidente Jair Bolsonaro, que já acumulou R$ 930 milhões em 2025 — quase um terço a mais que o PT.
Congresso amplia chantagem orçamentária e sufoca governo Lula
A escalada de tensões entre o governo Lula e o Congresso Nacional ganhou novo episódio nesta semana com a liberação de R$ 2,5 bilhões em emendas parlamentares, grande parte destinada aos partidos do Centrão e ao PL, que lidera a ofensiva política contra o Executivo.
Com os novos valores, o total empenhado em 2025 chega a R$ 5,6 bilhões — pouco mais de 11% do montante total autorizado para o ano, que ultrapassa os R$ 50 bilhões. A movimentação, longe de atender demandas da população, revela o uso das emendas como instrumento de barganha política e sabotagem institucional.
PL de Bolsonaro abocanha maior fatia das emendas
O PL foi o maior beneficiado: recebeu sozinho R$ 410 milhões apenas nesta última rodada, elevando para R$ 930 milhões o total acumulado em 2025. O valor é quase 33% superior ao destinado ao PT, partido do presidente Lula.
As verbas priorizam interesses individuais e locais controlados por parlamentares aliados à oposição, em detrimento de políticas públicas estruturantes. Ao mesmo tempo, seguem sem repasse as emendas de comissão, travadas pelo Supremo Tribunal Federal desde 2023 por falta de critérios transparentes e republicanos.
Crise institucional escancara fisiologismo do Legislativo
O impasse entre os Poderes se intensificou com a derrubada, pelo Congresso, do decreto que aumentava a alíquota do IOF — medida adotada pelo governo sem acordo prévio com o Legislativo. A reação foi imediata e acompanhada de uma ofensiva orçamentária.
A resposta do Palácio do Planalto, com um recurso ao STF, agravou a crise. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), acusou o governo de “unilateralismo” e elevou o tom no plenário:
“Hoje todo mundo pode acessar e questionar qualquer coisa no Supremo. Isso é um problema seríssimo”, disse, em tom ameaçador.
O Diário Carioca Esclarece:
O que são emendas parlamentares impositivas?
São recursos do orçamento federal indicados por parlamentares e de execução obrigatória, mas sua liberação é controlada politicamente, tornando-se alvo de disputas e chantagens entre o Congresso e o Executivo.
Liberação favorece aliados do atraso, não o povo
Das 8.555 emendas apresentadas em 2025, apenas 648 foram liquidadas e 573 efetivamente pagas. Os dados mostram um modelo de gestão orçamentária capturado por interesses privados, onde cada emenda liberada representa, em média, R$ 5,7 milhões — valor que dificilmente se traduz em políticas públicas transformadoras.
Enquanto o país enfrenta desafios urgentes como fome, desemprego e crise climática, o Parlamento opera como feudo de distribuição seletiva de recursos, comprometendo a reconstrução nacional proposta pelo governo Lula.
Perguntas Frequentes (FAQ)
Quem define as emendas parlamentares e como são pagas?
Deputados e senadores apresentam as emendas, que, na modalidade impositiva, devem ser pagas pelo governo, embora o ritmo de liberação seja politicamente negociado.
Por que o PL recebeu mais emendas que o PT?
O PL lidera a bancada no Congresso e integra o bloco do Centrão, que pressiona o governo por meio de barganhas orçamentárias, mesmo sendo oposição.
As emendas realmente beneficiam a população?
Em tese, sim. Mas na prática, muitas são direcionadas sem critérios técnicos, priorizando interesses eleitorais locais em detrimento do interesse público.

