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Bolsonaro admite derrota iminente no STF: “Não tenho alternativa”

Brasília, 17 de julho de 2025 — Acuado e sem saída, Jair Bolsonaro admitiu publicamente que será julgado pelo STF por tentativa de golpe de Estado. “Não tenho alternativa”, declarou nesta quinta-feira após reunião com seu filho Flávio Bolsonaro no Senado.

Bolsonaro muda de tom diante do Supremo
Pela primeira vez desde que se tornou réu por tentar abolir violentamente o Estado Democrático de Direito, Jair Bolsonaro adotou um discurso resignado. O ex-presidente reconheceu que não há escapatória e que enfrentará o julgamento marcado para setembro no Supremo Tribunal Federal. A declaração ocorreu logo após sair do gabinete do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), em um raro momento de sinceridade diante da imprensa.

O tom derrotista contrasta com a retórica negacionista que sustentou desde a derrota em 2022. Nos bastidores do bolsonarismo, a frase soou como um prenúncio do colapso político-jurídico do clã. Entre militares e aliados, crescem os sinais de distanciamento e retração.

Acusação inédita: organização criminosa e tentativa de golpe
O diagnóstico da Procuradoria-Geral da República não deixa margem para dúvidas. Em parecer de 517 páginas entregue ao STF, o procurador-geral Paulo Gonet acusa Bolsonaro de cinco crimes gravíssimos: liderança de organização criminosa armada, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, dano qualificado pela violência e grave ameaça ao patrimônio da União.

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A peça, robusta em provas e depoimentos, escancara o método de corrosão institucional orquestrado no entorno presidencial entre 2022 e 2023, com apoio explícito de militares, agentes públicos e parlamentares.

Trump, tarifas e distrações diplomáticas
Em meio à tempestade jurídica, Bolsonaro tentou desviar o foco mencionando um suposto plano de negociar pessoalmente com Donald Trump a revogação das tarifas de 50% impostas aos produtos brasileiros. “Eu estou em condições, se o Lula me der meu passaporte, eu negocio com o Trump”, ironizou, como se a diplomacia brasileira pudesse ser reduzida a um capricho de ex-presidentes derrotados.

A declaração ignora que o passaporte de Bolsonaro segue retido por decisão do STF desde 2023. A medida, baseada em risco de fuga e obstrução de Justiça, não está — nem estará — sob alçada do Executivo.

Crise no clã: Eduardo e as sanções contra o Brasil
O episódio vem na esteira de novas revelações envolvendo o filho do ex-presidente, Eduardo Bolsonaro, que está nos Estados Unidos desde fevereiro. Em entrevistas recentes, o deputado admitiu ter atuado junto ao trumpismo para pressionar pela adoção de sanções comerciais contra o Brasil, manobra que agora atinge diretamente setores do agronegócio bolsonarista.

Enquanto isso, o relatório da PGR expõe a tentativa articulada de impedir a posse de Lula em 2023, revelando detalhes sobre as reuniões clandestinas, os documentos falsificados e a atuação de militares da reserva e da ativa no núcleo do plano golpista.

Perguntas e Respostas

O que Bolsonaro disse sobre o julgamento no STF?
Declarou que “não tem alternativa” e que enfrentará o julgamento por tentativa de golpe em setembro.

Quais crimes a PGR imputa a Bolsonaro?
Organização criminosa armada, tentativa de golpe de Estado, abolição violenta do Estado de Direito, dano qualificado e ameaça à União.

O STF pode devolver o passaporte de Bolsonaro?
Sim, mas até o momento a Corte mantém a retenção por risco de fuga.

Por que Eduardo Bolsonaro está nos EUA?
Para articular com setores trumpistas; ele admitiu negociar as tarifas contra o Brasil.

Trump pode interceder pelas tarifas?
Mesmo que volte ao poder, as tarifas são política de Estado dos EUA e não se resolvem por afinidade pessoal.

JR Vital
JR Vitalhttps://diariocarioca.com/
JR Vital é jornalista e editor do Diário Carioca. Analista Político, Formado no Rio de Janeiro, pela faculdade de jornalismo Pinheiro Guimarães, atua desde 2007, tendo passado por grandes redações, como Visto Livre Magazine, Folha do Centro, Universo Musical, Alô Rio e outros.
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