Bolsonaro nega intenção de fuga e volta a atacar o STF: ‘Ódio Político’

Ex-presidente ataca STF e chama de política a operação que impôs tornozeleira, restrições e apreensão de dinheiro vivo
Jair Bolsonaro - © Marcelo Camargo/Agência Brasil
Jair Bolsonaro - © Marcelo Camargo/Agência Brasil
Por JR Vital JR Vital — Analista Geopolítico
JR Vital
JR Vital Analista Geopolítico
● Fato Verificado

Jornalista do Diário Carioca.

Brasília, 18 de julho de 2025 — Após ser alvo de nova operação da Polícia Federal, Jair Bolsonaro (PL) atacou o STF e classificou como “política” a investigação que resultou em medidas restritivas e apreensão de dinheiro em espécie em sua casa.

Oposição ao cerco judicial transforma suspeita em discurso político
A cena se repete: investigado, acuado e blindado por aliados, Jair Bolsonaro transformou mais uma operação da Polícia Federal em palanque. Nesta sexta-feira (18), ao reagir à nova ofensiva autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, o ex-presidente tentou converter a suspeita de fuga — sustentada pela PF após a apreensão de cerca de US$ 14 mil e R$ 8 mil em espécie — em argumento de vitimização política.

“Jamais pensei em sair do Brasil ou entrar numa embaixada”, disse Bolsonaro, tentando desqualificar a investigação que o coloca, novamente, no centro de um esquema que associa articulação golpista, uso da máquina pública e sabotagem institucional. A declaração veio logo após a execução de mandados de busca e apreensão em sua casa, no Jardim Botânico, e na sede do PL, seu partido.

Aparelho repressivo e estratégia de impunidade
Ao justificar as medidas cautelares, Alexandre de Moraes apontou ações coordenadas entre Bolsonaro e seu filho, o deputado licenciado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), para obstruir investigações e pressionar o Judiciário. Entre os elementos que motivaram a decisão, estão declarações públicas que vinculavam uma suposta anistia ao ex-presidente à suspensão das tarifas comerciais impostas ao Brasil pelos Estados Unidos — tema de carta recente divulgada por Donald Trump.

A operação da PF encontrou, além do dinheiro vivo, um pendrive escondido no banheiro da residência. O conteúdo será periciado. O uso da estrutura familiar e partidária como escudo judicial e mediático já não surpreende, mas escancara o grau de deterioração institucional que marca o bolsonarismo, mesmo fora do governo.

Restrições impostas e reação do clã Bolsonaro
Bolsonaro agora está proibido de sair de casa à noite, de acessar redes sociais, de manter contato com diplomatas ou qualquer outro investigado — inclusive seus próprios filhos. Também terá que usar tornozeleira eletrônica. As restrições valem entre 19h e 7h, inclusive aos fins de semana, num cenário que aproxima o ex-presidente de um regime de vigilância domiciliar.

A defesa do ex-mandatário se disse “surpresa e indignada” com a decisão, e aliados intensificaram a ofensiva contra o STF. Eduardo Bolsonaro e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) acusaram Moraes de “abuso” e “ódio político”, repetindo o roteiro de inversão de culpa e blindagem pública já habitual.

Narrativa internacional e escalada de confronto
A operação também provocou reações alinhadas ao discurso internacional da extrema direita. Aliados como a deputada Caroline de Toni (PL-SC) e o senador Jorge Seif (PL-SC) evocaram Donald Trump como suposta testemunha global de perseguição. O bolsonarismo, sem cargo e sem imunidade, tenta manter coesão política convertendo investigações criminais em narrativas de martírio populista.

O risco real de fuga, associado ao dinheiro apreendido, ao isolamento diplomático e às alianças transnacionais com a extrema direita, reforça a gravidade do momento. A ação da PF não mira um cidadão comum — mas um ex-presidente acusado de tramar contra a democracia, que agora responde com dólar vivo e discurso de fé.

Perguntas e Respostas

Bolsonaro pode ser preso?
Ainda não. Ele está sob medidas cautelares determinadas pelo STF, mas o processo pode evoluir para prisão preventiva.

O que foi encontrado na casa de Bolsonaro?
US$ 14 mil e R$ 8 mil em espécie, além de um pendrive escondido em um banheiro.

Por que a tornozeleira foi determinada?
Para garantir rastreamento constante, após suspeitas de fuga e obstrução judicial.

Ele pode se comunicar com aliados?
Não. Está proibido de manter contato com qualquer investigado, inclusive seus filhos.

A PF agiu com base em qual suspeita?
Articulação para interferir em processos judiciais e possível plano de fuga do país.

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