Brasília, 18 de julho de 2025 — O ministro Alexandre de Moraes, do STF, retirou o sigilo da decisão que impôs medidas cautelares ao ex-presidente Jair Bolsonaro e acusou-o de tentativa de extorsão contra o Judiciário, ao condicionar a retirada das sanções dos EUA à própria anistia.
Confissão ao vivo, chantagem em rede nacional
A escalada antidemocrática de Bolsonaro atingiu um novo patamar de cinismo político. Ao vivo, diante das câmeras, o ex-presidente confessou aquilo que o Supremo já investigava em silêncio: o uso do tarifaço norte-americano como moeda de troca por sua impunidade. O próprio Moraes qualificou o ato como uma “confissão consciente e voluntária” de uma tentativa de extorsão contra a Justiça brasileira.
“Sem qualquer respeito à Soberania Nacional, à Constituição e à independência do Poder Judiciário, expressamente confessou sua atuação criminosa”, escreveu o ministro. Em sua decisão, Moraes foi enfático ao apontar o vínculo direto entre as movimentações diplomáticas de Bolsonaro com Washington e sua obsessão por livrar-se de punições judiciais no Brasil.
A acusação não se baseia apenas na fala do ex-presidente. Moraes apontou que as redes sociais de Bolsonaro se tornaram instrumentos para minar a soberania nacional, como no vídeo publicado em 11 de julho, no qual Donald Trump exige o fim da “perseguição política” ao seu aliado tropical.
PF encontra dólares, pendrive e cópia de ação nos EUA
Na manhã desta sexta-feira, a Polícia Federal deflagrou nova fase da operação autorizada pelo STF. Na casa de Bolsonaro, em Brasília, foram apreendidos US$ 14 mil em espécie, R$ 8 mil, um pendrive escondido dentro do banheiro e cópia da ação movida nos EUA pela plataforma Rumble — em parceria com a empresa de Trump — contra Alexandre de Moraes.
A Rumble e o conglomerado Trump Media & Technology Group acusam o ministro de censura e pedem que ordens do STF não tenham efeito em solo norte-americano. O conteúdo do pendrive será periciado pela PF. O celular do ex-presidente também foi apreendido.
Medidas restritivas: silêncio forçado e vigilância eletrônica
O ministro determinou que Bolsonaro utilize tornozeleira eletrônica, fique recolhido entre 19h e 7h, inclusive nos fins de semana, e mantenha total silêncio digital. Está proibido de acessar redes sociais, conversar com investigados, réus ou diplomatas estrangeiros, além de se aproximar de embaixadas.
As medidas refletem a gravidade da investigação: o STF apura se Bolsonaro cometeu coação no curso do processo, obstrução de justiça e atentado à soberania nacional. A conduta, segundo a Corte, pode configurar o uso indevido de influência internacional para enfraquecer as instituições brasileiras — uma tentativa explícita de instrumentalizar a geopolítica em favor de sua impunidade pessoal.
Defesa reage com vitimismo e retórica previsível
Como de praxe, a defesa de Bolsonaro adotou o discurso de surpresa e perseguição. Celso Vilardi, advogado do ex-presidente, afirmou que aguardará acesso à íntegra da decisão para se manifestar. Já Bolsonaro, em coletiva, recorreu ao tom de mártir político, dizendo que nunca cogitou deixar o país e classificando a operação como “política”.
O roteiro do bolsonarismo se repete: do uso das redes para deslegitimar a Justiça, à retórica conspiratória contra instituições democráticas, passando pela busca desesperada por proteção internacional. O que muda, agora, é a contundência da resposta judicial — e a clareza do diagnóstico: há crime, há prova, há confissão.
Perguntas e Respostas
O que motivou a decisão de Alexandre de Moraes?
A confissão de Bolsonaro, em entrevista, de que condicionava o fim do tarifaço à sua anistia judicial.
Quais medidas foram impostas ao ex-presidente?
Tornozeleira eletrônica, recolhimento noturno, proibição de redes sociais, diplomatas e contato com réus.
O que foi encontrado pela PF na casa de Bolsonaro?
US$ 14 mil, R$ 8 mil, um pendrive escondido no banheiro e cópia da ação contra Moraes nos EUA.
Por que a Rumble processou Moraes nos EUA?
A empresa o acusa de censura por decisões do STF e tenta impedir que elas tenham efeito fora do Brasil.
Quais crimes Bolsonaro é suspeito de cometer?
Coação no processo, obstrução de justiça e atentado à soberania nacional.

