Brasília, 18 de julho de 2025 – Em frente à sede do PL, durante entrevista improvisada de Jair Bolsonaro, um trompetista interrompeu o silêncio tenso da cena ao executar a “Marcha Fúnebre” de Chopin. O ex-presidente acabava de se pronunciar sobre a ordem judicial que lhe impôs o uso de tornozeleira eletrônica.
A cena que Bolsonaro não controla mais
A tentativa de Jair Bolsonaro de se colocar como vítima de perseguição política escorreu por entre as notas de um trompete. Na manhã desta sexta-feira, em Brasília, enquanto o ex-presidente falava à imprensa, o músico Fabiano Duarte apareceu ao fundo tocando a peça mais fúnebre do repertório clássico ocidental. A melodia escolhida, eternizada em funerais e homenagens póstumas, viralizou em tempo real e ampliou o desgaste da imagem do bolsonarismo após o avanço das investigações do Supremo.
Fabiano, já conhecido nas redes como o “trompetista do PT”, não está vinculado oficialmente ao partido, mas vem usando a música como ferramenta de intervenção crítica. Não foi a primeira vez que apareceu desestabilizando o script bolsonarista. Em 2023, sua aparição diante do Senado, com o tema “Tá na hora do Jair já ir embora”, irritou aliados do então ex-presidente e o colocou sob os holofotes digitais da militância antifascista.
Reação à operação e cerco judicial
A performance sonora ecoa o cerco jurídico que se fecha sobre Bolsonaro. A ação da Polícia Federal, autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, mirou não apenas a residência do ex-presidente, mas também a sede nacional do PL, em Brasília. Com aval da Procuradoria-Geral da República, Moraes impôs a Bolsonaro o uso de tornozeleira eletrônica, cortou seu acesso a redes sociais e o proibiu de manter qualquer contato com diplomatas, embaixadores ou investigados no mesmo inquérito.
As medidas fazem parte da ofensiva contra o núcleo político-militar acusado de tentar sabotar o processo eleitoral e organizar um golpe contra o resultado das urnas. O julgamento da legalidade dessas medidas cautelares será analisado ainda nesta sexta-feira pela Primeira Turma do STF, em plenário virtual.
Ironia como linguagem política
A cena do trompete não é apenas anedótica. Ela simboliza uma virada na disputa de narrativas: a desconstrução simbólica de Bolsonaro se dá não só nos tribunais, mas também nas ruas. O deboche público, quando sustentado por figuras como Fabiano Duarte, expõe o colapso da aura de autoridade que o bolsonarismo tentou preservar mesmo após a derrota eleitoral.
Enquanto seus aliados insistem em gritar censura e perseguição, a realidade se impõe: o ex-presidente é alvo de decisões judiciais duras, com amplo respaldo institucional, e cada novo capítulo acentua sua condição de réu político. O riso — ou o som de um trompete fúnebre — passa a ser uma arma de denúncia contra quem tentou transformar a democracia em campo de guerra.
Perguntas e Respostas
Quem é o trompetista que tocou para Bolsonaro?
Fabiano Duarte, músico e ativista, conhecido nas redes como o “trompetista do PT”.
O que foi decidido contra Bolsonaro?
O STF ordenou tornozeleira eletrônica, restrição de redes sociais e veto a contatos diplomáticos.
Qual foi o contexto da performance?
Durante coletiva improvisada após ação da PF, em frente à sede do PL, em Brasília.
Qual a acusação contra Bolsonaro?
Ele é investigado por envolvimento em tentativa de golpe e sabotagem do processo eleitoral.
O que será julgado nesta sexta-feira no STF?
A legalidade das medidas cautelares impostas por Alexandre de Moraes.

