Ruptura imposta

Hugo Motta barra comissões bolsonaristas na Câmara

Presidente da Câmara proíbe sessões esvaziadas durante recesso e enfrenta tentativa do PL de apoiar Bolsonaro com moções
Hugo Motta barra comissões bolsonaristas na Câmara
Hugo Motta (Foto: Bruno Spada/Câmara dos Deputados)
Por JR Vital JR Vital — Analista Geopolítico
JR Vital
JR Vital Analista Geopolítico
● Fato Verificado

Jornalista do Diário Carioca.

Brasília, 22 de julho de 2025 – Em decisão publicada nesta terça-feira, o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), suspendeu todas as reuniões de comissões parlamentares durante o recesso de julho, contrariando tentativa do PL de aprovar moções de apoio a Jair Bolsonaro.

A blindagem do recesso parlamentar de julho contra as manobras do bolsonarismo não foi um gesto de neutralidade institucional — foi um gesto político. Ao proibir qualquer reunião de comissões durante o período, Hugo Motta expôs um campo de disputa em que não há inocência: o PL buscava usar estruturas públicas para legitimar um investigado sob medidas cautelares por atentado à ordem democrática.

O despacho da presidência da Câmara, publicado no Diário Oficial, bloqueia a tentativa de reativar a máquina bolsonarista em plena pausa legislativa. A decisão atinge diretamente sessões convocadas para esta terça-feira (22), às 10h, nas comissões de Relações Exteriores e de Segurança Pública, ambas controladas por aliados de Jair Bolsonaro.

Desobediência calculada

O plano era claro: transformar comissões parlamentares em trincheiras de propaganda. A estratégia envolvia votar moções de apoio ao ex-presidente, que desde a última sexta-feira (18) cumpre ordens judiciais, incluindo o uso de tornozeleira eletrônica, recolhimento domiciliar noturno e proibição de acessar redes sociais ou contatar diplomatas.

Mesmo com a posição expressa da presidência da Câmara, o líder do PL, Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), confrontou o ato. Em tom provocador, defendeu a legalidade das convocações, alegando que “os presidentes [das comissões] são autônomos”. A recusa em reconhecer o despacho oficial revela o uso sistemático da desobediência como método de enfrentamento institucional.

Parlamentarismo de ocupação

O bolsonarismo no Congresso não opera como força legislativa, mas como ocupação ideológica. Ao tentar instrumentalizar comissões para emitir “louvores” a Jair Bolsonaro, mesmo durante o recesso, os aliados buscam naturalizar a insurgência antirrepublicana como expressão legítima de representação.

É esse tipo de lógica que o despacho de Hugo Motta confronta. Ao reafirmar a suspensão das atividades das comissões, a presidência da Câmara desenha uma linha divisória: ou se respeita o funcionamento institucional da Casa, ou se aceita o caos como regra.

Perguntas e Respostas

O que motivou Hugo Motta a proibir reuniões nas comissões?
Evitar o uso político das estruturas legislativas durante o recesso e preservar o calendário institucional da Câmara.

O PL pode ignorar a decisão?
Não legalmente. O despacho da presidência tem autoridade sobre o funcionamento das comissões durante o recesso.

As moções de apoio a Bolsonaro seriam votadas?
Sim, esse era o objetivo declarado das sessões convocadas pelos aliados bolsonaristas.

Quem está por trás das convocações?
Deputados do Partido Liberal, incluindo Sóstenes Cavalcante e presidentes de comissões ligados ao bolsonarismo.

A decisão de Hugo Motta é inédita?
Não, mas seu impacto político é ampliado pelo contexto de confronto com setores golpistas da direita.

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