Brasília, 22 de julho de 2025 — A Polícia Federal avalia medidas contra Eduardo Bolsonaro por pressão sobre autoridades brasileiras e interferência estrangeira no processo que investiga o golpe de Estado fracassado liderado por seu pai.
Eduardo Bolsonaro virou peça-chave na engrenagem do golpismo transnacional. Mesmo licenciado e operando à distância, o filho do ex-presidente tem protagonizado ações deliberadas para enfraquecer instituições brasileiras, mobilizar aliados nos EUA e atacar diretamente os agentes da Polícia Federal responsáveis por investigar a tentativa de ruptura democrática.
A PF, segundo fontes próximas à apuração, estuda ações concretas contra o deputado: mandados de busca e apreensão, bloqueio de bens e a abertura de canais de cooperação jurídica internacional, já que Eduardo permanece nos Estados Unidos como forma de blindagem. A ausência em solo brasileiro o protege de medidas imediatas, mas não do avanço das investigações.
A presença nos EUA não é casual. Dois dias após desembarcar no país, ainda em maio, Eduardo articulou com congressistas republicanos uma carta à Casa Branca pedindo sanções contra o ministro Alexandre de Moraes. A PF trata essa movimentação como interferência estrangeira coordenada, com objetivo de constranger o Supremo Tribunal Federal e sabotar a soberania institucional do país.
A escalada golpista não se dá apenas no campo diplomático. Após a operação da PF que mirou Jair Bolsonaro e apreendeu valores em espécie, um celular e um pen drive escondido no banheiro, Eduardo atacou a corporação publicamente, com ameaças a delegados e ofensas diretas à investigação. “Vai lá, cachorrinho da Polícia Federal que tá me assistindo. Se eu ficar sabendo quem é você, eu vou me mexer aqui”, disparou, citando o nome do delegado Fábio Alvarez Shor.
O ataque foi classificado por entidades como “leviano e inaceitável”. A Federação Nacional dos Delegados da Polícia Federal (Fenadepol) repudiou as declarações, apontando tentativa de deslegitimação da corporação e ofensa à sua autonomia funcional. Investigadores ouvidos pelo Diário Carioca descrevem a conduta de Eduardo como “método miliciano” — uma política de intimidação, chantagem e corrosão da autoridade institucional.
A situação jurídica de Eduardo Bolsonaro se complica em ritmo crescente. O nome dele aparece em trechos da decisão de Alexandre de Moraes que autorizou a operação da PF, onde é apontado como coautor de atentado à soberania nacional. A acusação não se restringe a manifestações políticas: envolve ações concretas para obstruir a Justiça e incitar a intervenção estrangeira em decisões internas do país.
Quadro técnico – Perguntas e Respostas
Por que a PF investiga Eduardo Bolsonaro?
Por tentativa de obstrução da Justiça, ameaças e articulações com políticos estrangeiros contra o STF.
Que medidas a PF pode adotar contra ele?
Mandados de busca, bloqueio de bens e solicitação de cooperação jurídica com os EUA.
Eduardo está no Brasil?
Não. Está nos Estados Unidos desde maio e tem usado a estadia como escudo político.
O que ele fez nos EUA?
Organizou carta de congressistas republicanos pedindo sanções contra Moraes.
Como reagiram os delegados da PF aos ataques?
A Fenadepol repudiou as ameaças e classificou o comportamento como grave afronta à autonomia da instituição.

