Brasília – 1º de agosto de 2025 – O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, afirmou nesta sexta-feira que aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro, atualmente foragidos, integram uma organização criminosa com atuação “covarde e traiçoeira”, que teria como objetivo submeter o funcionamento da Suprema Corte a interesses de Estados estrangeiros, em afronta direta à soberania nacional.
Críticas durante a abertura do ano judiciário
Durante a solenidade de reabertura do ano judiciário, em Brasília, Alexandre de Moraes fez duras críticas ao comportamento de bolsonaristas investigados no âmbito da Ação Penal 2.668, que trata da tentativa de golpe ocorrida em 8 de janeiro de 2023. Segundo ele, há provas de que o grupo tem articulado com autoridades estrangeiras a imposição de sanções ao Brasil.
“Temos visto diversas condutas dolosas e conscientes, de uma verdadeira organização criminosa, que age de maneira covarde e traiçoeira com a finalidade de tentar submeter o funcionamento desse STF ao crivo de um Estado estrangeiro”, declarou Moraes.
A Procuradoria-Geral da República e a Polícia Federal (PF) investigam o envolvimento de bolsonaristas em articulações no exterior que visam pressionar o Poder Judiciário e enfraquecer instituições democráticas.
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Foragidos, cooperação ilegal e obstrução da Justiça
O ministro afirmou que os investigados abandonaram o país e, do exterior, atuam para criar instabilidade institucional no Brasil. Segundo ele, a suposta cooperação internacional é parte de uma tentativa de obstruir o julgamento da Ação Penal 2.668.
“Age de maneira covarde porque esses brasileiros ‘pseudopatriotas’ encontram-se foragidos. Não tiveram coragem de permanecer no território nacional”, disse.
Moraes citou ainda a existência de negociações “espúrias e criminosas” com autoridades estrangeiras para influenciar decisões econômicas e judiciais no Brasil, o que, segundo ele, constitui grave violação à independência dos Poderes da República.
Acusações de tentativa de colapso econômico
Segundo Moraes, há evidências de que o grupo bolsonarista tenta induzir uma crise econômica deliberada, com vistas a pressionar o Congresso e o Judiciário a recuar nos processos penais em curso.
“A insistência dessa organização criminosa na implementação de medidas nocivas ao Brasil, com tarifas e agressões ilegais, visa criar uma grave crise econômica”, disse o ministro.
Ele reforçou que as ações têm motivação política e são orientadas pela intenção de proteger interesses pessoais dos envolvidos.
Entenda as acusações de Moraes contra bolsonaristas foragidos
Quem são os investigados mencionados por Alexandre de Moraes?
O ministro não citou nomes, mas fez referência a aliados de Jair Bolsonaro investigados por participação na tentativa de golpe de 2023. Entre os nomes já associados às investigações estão ex-ministros, militares e ex-assessores do ex-presidente.
Por que Moraes fala em “cooperação espúria” com estrangeiros?
Segundo ele, os acusados estariam negociando com autoridades estrangeiras para que sanções econômicas fossem aplicadas ao Brasil, em uma tentativa de forçar o recuo do STF nos processos em curso.
Qual o papel da Ação Penal 2.668 nesse contexto?
Essa ação penal trata do núcleo central da articulação golpista de 8 de janeiro de 2023. Moraes acusa os investigados de tentarem obstruir o andamento do processo por meio de pressões externas.
O que significa “traição à pátria” nesse caso?
Moraes usa o termo para se referir à atuação de brasileiros que, segundo ele, cooperam com países estrangeiros para prejudicar deliberadamente a economia e as instituições brasileiras.
Houve reação dos acusados às falas de Moraes?
Até a publicação desta matéria, não houve resposta oficial por parte de Jair Bolsonaro, de seus advogados ou de outros bolsonaristas mencionados indiretamente pelo ministro.
Pressão externa e riscos institucionais
As falas de Alexandre de Moraes ampliam o tom de enfrentamento entre o Supremo Tribunal Federal (STF) e o bolsonarismo. Ao acusar diretamente o grupo de traição e conspiração internacional, o ministro fortalece a linha de responsabilização criminal por atentado à ordem democrática.
Os desdobramentos da Ação Penal 2.668 devem incluir novas quebras de sigilo e pedidos de extradição. A depender das provas colhidas, pode haver agravamento das acusações contra os foragidos, inclusive sob o ponto de vista diplomático.

